Estudo desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que a cada 10% de aumento da ingestão de alimentos ultraprocessados, o risco de morte prematura sobe 3%.
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Foram considerados dados sobre consumo alimentar em oito países (Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, México e Reino Unido), demonstrando que, de acordo com a quantidade de ultraprocessados na dieta em cada país, as mortes precoces que podem ser atribuídas a esses alimentos variam de 4% até cerca de 14%.
A pesquisa revela, ainda, que o consumo de alimentos ultraprocessados está associado ao risco de 32 enfermidades, como doenças digestivas, obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e problemas de saúde mental, incluindo depressão.
“Alimentos ultraprocessados são formulações industriais feitas a partir de substâncias derivadas de alimentos e aditivos alimentares cosméticos, com pouco ou nenhum alimento in natura ou minimamente processado”, explica o pesquisador da Fiocruz Brasília e do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP, Eduardo Nilson.
Vilões da saúde digestiva
A saúde digestiva envolve o funcionamento adequado de todos os órgãos que compõem o sistema digestivo: boca, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, fígado, pâncreas e vesícula biliar. É o sistema digestivo o responsável pela quebra dos alimentos, absorção de nutrientes e eliminação dos resíduos, como explica o Ministério da Saúde
Assim, a qualidade da alimentação tem um impacto direto no seu funcionamento, podendo resultar em efeitos positivos ou prejudiciais. Um sistema digestivo saudável não apenas absorve bem os nutrientes, como também aumenta a imunidade e melhora o humor, a energia e a qualidade do sono.
Constipação intestinal, sensação de estufamento, dor abdominal, gases excessivos, azia, diarreia frequente ou intolerâncias alimentares podem ser sinais de problema na saúde digestiva.. Um gastroenterologista pode avaliar casos assim, orientando quanto a exames como a colonoscopia, informando também sobre como é o preparo da endoscopia.
O Guia Alimentar para a População Brasileira explica que os alimentos ultraprocessados passam por diversos processos industriais e são produzidos com muito açúcar, sódio e gordura, além de aditivos que imitam cores, sabores e texturas.
Entre os exemplos de alimentos ultraprocessados estão refrigerantes, salsichas, biscoitos recheados, macarrões instantâneos, salgadinhos, embutidos, sorvetes, pães embalados, margarina e fast food.
Para identificar um alimento ultraprocessado no mercado, o Instituto de Defesa dos Consumidores (Idec) afirma que “aprender a ler o rótulo é essencial”. Segundo o instituto, se a lista de ingredientes contém nomes como “aromatizantes”, “corantes”, “edulcorantes” e “emulsificantes”, é sinal de alerta.
Esses alimentos promovem o crescimento de bactérias prejudiciais no intestino e contribuem para a inflamação intestinal, quando o profissional da saúde pode solicitar exames para diagnóstico e esclarecer para que serve a colonoscopia com biópsia. Alimentos ricos em açúcar podem estar relacionados a distúrbios como síndrome do intestino irritável (SII), refluxo gastroesofágico (DRGE) e obesidade.
“Além de o processamento industrial desses alimentos interferir na absorção de nutrientes, há alterações químicas associadas ao uso de aditivos alimentares cosméticos, como adoçantes, aromatizantes, emulsificantes, corantes artificiais, entre outros”, destaca Nilson.
Redução no consumo de ultraprocessados
Para reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados no dia a dia, uma dica é planejar as refeições. É importante incluir alimentos ricos em fibras, como frutas, legumes, grãos integrais e leguminosas, que garantem o bom funcionamento do intestino.
Outra dica é consumir alimentos fermentados, que ajudam a manter o equilíbrio da flora intestinal. É fundamental, ainda, optar por ingerir gorduras saudáveis, como as encontradas em peixes, azeite de oliva e abacate. Outro ponto importante é hidratar-se adequadamente, além de reduzir o consumo de açúcar, comer devagar e mastigar bem os alimentos, como orienta o Ministério da Saúde.
*Informações Assessoria de Imprensa