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Como a genética está relacionada às formas graves de Covid-19?

Estudo indica que agravamento da doença pode ter ligação com presença de determinadas proteínas nos pacientes

por Saúde Debate, com informações da assessoria de imprensa

13/09/2021
Sobre: Estudos mostram avançam no entendimento sobre como a genética está relacionada às formas graves de Covid-19
Créditos: jcomp / Freepik

O avanço das pesquisas mostra como a genética está relacionada às formas graves de Covid-19. Um artigo de revisão, publicado no jornal científico Immunobiology, reuniu informações de 87 pesquisas publicadas desde o começo da pandemia e apontou que algumas enzimas de células humanas podem ser motivo do agravamento da doença. Estas proteínas podem atuar em conjunto com o coronavírus e facilitar a infecção gerada por ele.


"Estas enzimas, como a ACE2 [sigla em inglês para angiotensina 2], são proteínas que estão localizadas na superfície celular. O que se observou em pacientes infectados pelo novo coronavírus é que elas estão presentes de forma mais expressiva, acima dos níveis normais, nestas pessoas. Também foi constatado que estas proteínas aparecem de forma aumentada em pacientes com doenças crônicas como hipertensão, diabetes e outras doenças cardiovasculares, o que os torna ainda mais suscetíveis à infecção pelo SARS-CoV-2", explica Luciane Cavalli, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, que participou dessas análises, ao lado de sete universidades, entre elas a Universidade Federal do Paraná e a Universidade de São Paulo.


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Conforme os estudos que indicam como a genética está relacionada às formas graves de Covid-19, essas características relacionadas às enzimas podem também indicar por que algumas pessoas infectadas pelo coronavírus se tornam assintomáticos ou desenvolvem sintomas leves da Covid-19, enquanto outros pacientes chegam a formas mais graves da doença e necessitam de internamento e até mesmo de intervenções mais complicadas. "Aspectos como expressão aumentada das enzimas ACE1, ACE2 e TMPRSS2 [sigla para serinoprotease transmembrana tipo II] podem ser determinantes", complementa Cavalli.


Algumas comorbidades (doenças coexistentes), uso de determinados medicamentos, idade e o próprio gênero do paciente também podem influenciar na presença dessas enzimas em maior ou menor quantidade, de acordo com os estudos, além dos fatores genéticos. De acordo com Luciane, existem testes que podem detectar essas enzimas.

 

"Todo esse conhecimento pode ajudar a definir o tratamento mais adequado que deve ser administrado antes que ocorra a manifestação dos sintomas clínicos e, principalmente, antes que a doença evolua para um quadro mais grave", pontua Luciane Cavalli. "O que se pode concluir é que existe uma interação dinâmica entre o genoma do SARS-CoV-2 e o dos seres humanos. Essa correlação, influenciada por características genéticas, impacta diretamente a manifestação de sintomas clínicos e a progressão da Covid-19", conclui.


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