Com expectativa de vida em alta, Brasil enfrenta novo desafio: envelhecer com qualidade

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2026-07-06 | 14:18h
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Saúde Debate
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(Foto: gpoinstudio/Freepik)

O brasileiro nunca viveu tanto, em 2024, a expectativa de vida ao nascer chegou a 76,6 anos, o maior índice da série histórica do IBGE. Ao completar 60 anos, um brasileiro pode esperar viver, em média, mais 22,6 anos. Ao mesmo tempo, o país passa por uma rápida transição demográfica: segundo projeções do próprio instituto, pessoas com mais de 60 anos representarão quase 38% da população até 2070. Os números mostram que a longevidade avança, mas também reforçam uma questão que começa a ocupar espaço entre médicos e pesquisadores: viver mais não significa, necessariamente, viver esses anos com saúde, independência e qualidade de vida. 

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Para o médico, professor e pesquisador Alexandre Duarte, referência em fisiologia metabólica e hormonal e fundador do  Instituto Avantgarde, centro especializado em medicina metabólica e hormonal voltado à prevenção, investigação das causas de doenças crônicas e cuidado personalizado, o debate sobre envelhecimento ainda está excessivamente concentrado no aumento da expectativa de vida, enquanto aspectos que determinam a capacidade funcional acabam ficando em segundo plano.

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“O objetivo não deveria ser apenas aumentar o número de anos vividos, mas ampliar o período da vida em que a pessoa consegue trabalhar, caminhar, praticar atividade física, manter autonomia e preservar a capacidade cognitiva. Muitos pacientes chegam aos 70 anos vivos, mas já convivendo há décadas com limitações que poderiam ter sido prevenidas.”

O metabolismo influencia a forma como envelhecemos

Segundo o médico, boa parte das doenças associadas ao envelhecimento não surgem de maneira repentina. Alterações metabólicas costumam se desenvolver lentamente ao longo de anos, muitas vezes sem sintomas evidentes nas fases iniciais.

Entre os fatores que merecem acompanhamento estão a perda progressiva de massa muscular, o aumento da resistência à insulina, alterações hormonais, deficiência de nutrientes, sedentarismo e alimentação inadequada. Em conjunto, essas mudanças aumentam o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, fragilidade física e perda de autonomia.

“O envelhecimento é um processo biológico natural. O adoecimento não precisa ser. Grande parte das pessoas procura assistência quando a doença já está instalada, mas existe uma longa fase anterior em que o organismo já demonstra sinais de perda de eficiência metabólica. É justamente nesse período que a prevenção produz maior impacto.”

Massa muscular passa a ser um dos principais indicadores de saúde

Na avaliação do especialista, um dos maiores desafios do envelhecimento está na preservação da massa muscular. A redução gradual da musculatura, conhecida como sarcopenia, está relacionada ao aumento do risco de quedas, fraturas, hospitalizações e perda de independência entre idosos.

Ele explica que manter um metabolismo saudável envolve um conjunto de fatores que vão além do controle do peso corporal.

“Existe uma preocupação muito grande com o número que aparece na balança, mas pouco se discute sobre composição corporal. Uma pessoa pode estar dentro do peso considerado normal e apresentar baixa massa muscular, excesso de gordura visceral e alterações metabólicas importantes. O peso isoladamente não traduz o estado de saúde.”

A prevenção precisa começar antes do envelhecimento

Embora o envelhecimento esteja frequentemente associado à terceira idade, Alexandre afirma que as principais estratégias preventivas deveriam ser adotadas ainda na vida adulta.

Segundo ele, alimentação adequada, prática regular de exercícios de força, sono de qualidade, controle do estresse e acompanhamento clínico individualizado ajudam a preservar a capacidade funcional ao longo das décadas.

“O organismo vai acumulando adaptações positivas ou negativas durante toda a vida. Esperar os primeiros sinais de limitação física para mudar hábitos reduz parte do potencial de recuperação. Quanto mais cedo se investe na saúde metabólica, maiores são as chances de envelhecer com autonomia.”

O que determina um envelhecimento saudável

Segundo o médico e pesquisador, não existe uma intervenção isolada capaz de preservar a saúde ao longo das décadas. O resultado depende da combinação de hábitos e do acompanhamento dos principais marcadores metabólicos antes do aparecimento das doenças. Na prática, isso significa monitorar alterações que muitas vezes evoluem de forma silenciosa, como perda de massa muscular, aumento da gordura visceral, resistência à insulina, deficiência de vitaminas e mudanças hormonais.

Para ele, um dos maiores erros é acreditar que o organismo continuará respondendo da mesma forma ao longo da vida sem que haja cuidados preventivos. Com o avanço da idade, a chamada reserva fisiológica, ou seja a capacidade que o corpo tem de reagir a doenças, infecções, cirurgias e situações de estresse, diminui gradualmente, tornando a prevenção ainda mais importante.

“Envelhecer bem não é consequência apenas da genética. É resultado de decisões repetidas ao longo da vida. Alimentação adequada, treinamento de força, sono de qualidade, controle do estresse e avaliação periódica do metabolismo formam a base para reduzir o risco de doenças crônicas e preservar a independência física. Quando essas medidas são adotadas apenas depois que surgem as limitações, parte da capacidade de recuperação do organismo já foi perdida.”

Na visão de Alexandre, o envelhecimento da população brasileira tende a transformar a prevenção em uma das principais discussões da saúde pública nos próximos anos. Com mais pessoas vivendo por períodos cada vez maiores, o desafio deixa de ser apenas aumentar a longevidade e passa a incluir a manutenção da independência física, da capacidade cognitiva e da qualidade de vida durante todo esse tempo. Esse movimento também exige mudanças na formação dos profissionais de saúde e na forma como doenças crônicas são prevenidas e acompanhadas ao longo da vida.

*Informações Assessoria de Imprensa

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