Coçar os olhos pode acelerar doença ocular

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2026-06-01 | 17:00h
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2026-06-01 | 17:29h
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(Foto: Freepik)
Seu filho costuma coçar os olhos com frequência? O hábito, que parece simples e inofensivo, pode ser perigoso e um fator determinante para o desenvolvimento e o agravamento do ceratocone, uma doença ocular degenerativa que pode atingir desde crianças e adolescentes. Junho ganha a cor violeta justamente para alertar sobre essa condição progressiva que afeta a córnea, compromete a qualidade da visão e, muitas vezes, evolui de forma silenciosa. 
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Considerado uma doença de difícil percepção, o ceratocone costuma ser confundido com alterações comuns no grau dos óculos. O alerta se torna ainda mais relevante porque o ato recorrente de esfregar os olhos está diretamente ligado à progressão da doença. A médica oftalmologista Larissa Bowens, do Hospital Oftalmos, explica que a pressão mecânica repetida compromete a estrutura da córnea. “É como dobrar uma folha de papel repetidamente no mesmo lugar: com o tempo, o papel cede”, compara.
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Segundo ela, esse processo enfraquece as fibras de colágeno, favorecendo a deformação da córnea e acelerando a evolução da doença, especialmente em pacientes com alergias oculares. Esse comportamento cria um ciclo preocupante: alergia, coceira, esfregar os olhos e, assim, a piora progressiva da visão. “Por isso, tratar bem a alergia não é apenas uma questão de conforto. É uma medida de proteção da visão”, enfatiza a médica oftalmologista.
Para conscientizar pais, adolescentes e jovens adultos, Larissa explica que o ceratocone ocorre quando a córnea perde sua forma natural. “A córnea é aquela camada transparente na frente do olho, responsável por focar a luz para que a gente enxergue com nitidez. No ceratocone, essa estrutura vai perdendo a forma: começa a afinar e a se projetar para frente, formando um cone”, detalha.
Entre os principais sinais de alerta estão a visão embaçada, que não melhora adequadamente com o uso de óculos, a sensibilidade excessiva à luz, a dificuldade para enxergar à noite e a percepção de halos ao redor das luzes. Em crianças e adolescentes, a troca frequente do grau merece atenção especial. “Quando uma criança ou um adolescente troca o grau duas ou três vezes em um ano, isso não é normal e precisa ser investigado”, alerta a oftalmologista.
Embora possa afetar diferentes faixas etárias, o ceratocone costuma se manifestar entre os 10 e os 25 anos, podendo continuar a progredir até a fase adulta jovem. Segundo Larissa, isso acontece porque a córnea ainda está em desenvolvimento nesse período da vida, tornando-se mais vulnerável às alterações estruturais. Além disso, é nessa fase que o hábito de coçar os olhos costuma ser mais intenso, especialmente entre jovens com histórico de alergias. “Se você tem um filho adolescente que usa óculos e vive coçando os olhos, não deixe de consultar um oftalmologista. Uma avaliação completa pode revelar sinais que passariam despercebidos em uma consulta de rotina”, orienta.
Além dos fatores comportamentais, o ceratocone também apresenta influência genética. Ter um familiar de primeiro grau com a doença aumenta significativamente o risco de desenvolvimento. “Não é para assustar, é para vigiar. Quanto mais cedo identificamos a situação, mais simples é o tratamento. É a diferença entre um paciente que vai levar uma vida normal usando lentes de contato e outro que vai precisar de um transplante de córnea”, explica a especialista do Oftalmos.
Tratamentos atuais
O cuidado com o ceratocone varia conforme o estágio da doença. Nos quadros iniciais, o principal objetivo é interromper a progressão, e o procedimento mais indicado é o crosslinking. “Ele não cura a doença nem devolve a forma original da córnea, mas faz algo muito valioso: estaciona o avanço dela”, destaca a oftalmologista. A técnica fortalece as fibras de colágeno, tornando a córnea mais resistente.
Em estágios intermediários, lentes de contato rígidas gás-permeáveis (RGP) ou esclerais costumam oferecer melhor qualidade visual por compensarem de forma mais eficaz as irregularidades da córnea. Já nos casos avançados, quando há deformação acentuada ou cicatrização, o transplante de córnea pode ser indicado. “Com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, a grande maioria dos pacientes com ceratocone tem uma vida completamente normal. Junho Violeta é sobre isso: conhecimento que salva a visão”, finaliza Larissa.
*Informações Assessoria de Imprensa

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Cunho
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