
O câncer colorretal é o segundo tumor mais incidente no Brasil, excluindo os casos de pele não melanoma, com mais de 45 mil novos diagnósticos estimados para 2025, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Diagnosticada em janeiro de 2023, Preta Gil foi operada e, no ano seguinte à retirada do tumor, anunciou, em agosto de 2024, que o câncer havia voltado em outras partes do corpo. Essa condição caracteriza uma recidiva com metástase, quando são reduzidas as chances de cura.
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A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) se solidariza com os familiares e amigos de Preta Gil e agradece imensamente por sua participação em nosso Congresso Brasileiro de Cirurgia Oncológica em 2023. Sua coragem ao compartilhar sua vivência com a doença foi um gesto de força, empatia e inspiração para pacientes e profissionais da área. “Cada vida perdida para o câncer representa uma dor imensa para a família, para os amigos, para toda a sociedade e comunidade oncológica. Seguiremos lutando por avanços no cuidado oncológico com ainda mais compromisso, em respeito à memória de tantas vidas marcadas pelo câncer”, afirma a SBCO, representada por seu presidente, Rodrigo Nascimento Pinheiro.
Diagnósticos de câncer colorretal na faixa etária de Preta Gil estão cada vez mais comuns. De acordo com relatório divulgado em 2023 pela American Cancer Society, 20% dos diagnósticos de câncer colorretal (cólon/intestino grosso e reto) realizados nos Estados Unidos em 2019 aconteceram em pacientes com menos de 55 anos. Comparativamente, é o dobro do que era observado em 1995 nessa faixa etária. De acordo com os autores, as taxas de detecção desta doença em estágio avançado cresceram cerca de 3% ao ano entre indivíduos que ainda não completaram 50 anos. Os dados dos Estados Unidos apontam 19,5 mil casos e 3,7 mil mortes por câncer colorretal entre os mais jovens em 2023.
De acordo com o cirurgião oncológico e também presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica o aumento dos casos de câncer colorretal abaixo dos 50 anos está associado a uma rotina com falta de hábitos saudáveis. “Há um consumo excessivo de alimentos industrializados e ultraprocessados e com baixa ingestão de fibras. Sem contar a falta de atividades físicas regulares e a obesidade. Esses fatores aumentam a incidência, em pessoas relativamente mais novas”, afirma.
Casos de volta da doença estão em queda
Atualmente, o risco de volta do câncer colorretal após remissão é de cerca de 20%. No entanto, os avanços da Oncologia têm possibilitado a redução desta taxa de volta da doença. Um amplo estudo publicado em 2023 na revista científica JAMA Oncology mostra que houve redução de taxas do retorno da doença entre os pacientes diagnosticados com câncer colorretal nos estágios I a III quando se compara ao cenário atual com as taxas de recorrências apresentas no período 2004/2008.
Os dados, tabulados e analisados até 2023, mostraram que – nas últimas duas décadas – as taxas de recorrência caíram para o câncer de cólon (intestino grosso) de 16,3% para 6,8% (pacientes diagnosticados em estágio I), de 21,9% para 11,6% (estágio II) e de 35,3% para 24,6% (estágio III). Para o câncer retal, as quedas foram de 19,9% para 9,5% no estágio I, de 25,8% para 18,4% no estágio II e de 38,7% para 28,8% no estágio III da doença. O trabalho reuniu os dados de 34 mil pacientes.
O presidente da SBCO, Rodrigo Nascimento Pinheiro, explica que o risco de volta da doença é maior quando, antes da remissão, ela apresentava um crescimento acelerado e perfil mais agressivo. “Nesses casos, mesmo após o tratamento inicial, é preciso manter um acompanhamento rigoroso, com exames regulares, pois há maior chance de surgirem novas lesões ou metástases”, explica o especialista. Ele ressalta que, apesar disso, os avanços no tratamento, especialmente nas técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, têm contribuído para reduzir as taxas de recidiva e melhorar a sobrevida dos pacientes.
Cirurgia em câncer colorretal
A cirurgia para o câncer colorretal é o principal tratamento deste tipo de câncer, sobretudo em estágio inicial. A indicação, assim como o objetivo da cirurgia (se curativa ou paliativa), deve ser determinada pelo cirurgião e pela equipe que acompanha cada paciente. O tratamento consiste na ressecção de tumores no cólon e no reto (ânus). Dependendo do estadiamento (fase em que a doença é diagnosticada), o cirurgião também faz a retirada dos gânglios linfáticos próximos e anastomose (emenda) das duas extremidades livres do intestino. No cenário de doença mais avançada, quando o câncer penetrou a parede do intestino grosso e disseminou para gânglios linfáticos próximos, a quimioterapia pode ser adotada após a cirurgia. A Radioterapia, por sua vez, não é um tratamento indicado para tumores no intestino, mas sim para casos selecionados de tumor no reto.
No caso específico do câncer de reto, o tipo de cirurgia depende da distância entre o tumor e o ânus e, ainda, da profundidade da lesão na parede retal. Se for necessária a remoção total do reto e do ânus, a pessoa precisará de uma colostomia permanente. Se o médico conseguir deixar uma parte do reto — e o ânus ficar intacto —, a colostomia possivelmente será temporária, até a cicatrização dos tecidos, com a realização de outra cirurgia para religar o reto ao final do intestino grosso. “Na maioria dos casos, o câncer colorretal é tratado principalmente com cirurgia. Poder oferecer as técnicas minimamente invasivas, como laparoscopia e robótica, representará um importante ganho em qualidade de vida para os pacientes”, destaca o cirurgião oncológico.
Vantagens da cirurgia minimamente invasiva
A videolaparoscopia é feita com pequenos furos e a visualização dos órgãos internos ocorre por uma câmera. Diferentemente das cirurgias tradicionais (também conhecidas como cirurgias abertas), que geralmente exigem longos períodos de recuperação no hospital, as técnicas minimamente invasivas permitem que os pacientes se recuperem mais rapidamente (redução de até 35% no tempo) e, muitas vezes, possam voltar às suas atividades normais num prazo menor.
A cirurgia minimamente invasiva geralmente resulta em menos dor pós-operatória, o que melhora significativamente o conforto dos pacientes. Isso também está relacionado à diminuição das complicações pós-cirúrgicas, o que reduz a necessidade de reinternações e procedimentos adicionais, podendo economizar recursos do SUS. Outro ponto importante é a redução das cicatrizes visíveis, o que não apenas contribui para a estética do paciente, mas também pode impactar positivamente em sua autoestima e qualidade de vida.
Outra vantagem é para o sistema de previdência, já que muitos pacientes poderiam retornar mais precocemente ao trabalho, reduzindo os gastos com tempo de afastamento. Em linhas gerais, a atuação do cirurgião oncológico se dá na prevenção, no rastreamento, diagnóstico, estadiamento, tratamento do tumor primário, reconstrução e reabilitação, tratamento paliativo, cirurgia citorredutora e das metástases, gerência de serviços de oncologia e na pesquisa.
*Informações Assessoria de Imprensa











