
O mês de março é dedicado à conscientização e prevenção do câncer colorretal, um tipo de tumor maligno que afeta o intestino grosso, incluindo o cólon e o reto. No Brasil, este câncer ocupa o segundo lugar em incidência e o terceiro em mortalidade. De acordo com Lucas Nacif, Cirurgião Gastrointestinal, e membro titular do colégio brasileiro de cirurgia digestiva (CBCD), o câncer de intestino muitas vezes é descoberto em estágios mais avançados, devido a alguns sintomas sutis no estágio inicial da doença.
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Uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) revela que o câncer colorretal teve um crescimento exponencial na última década. Em 2022, foi o terceiro mais incidente na população brasileira, com 69.118 registros, o que representa 9,6% dos casos totais de câncer do país (627.193). Para 2024, as perspectivas não são otimistas e estima-se 45.630 novos diagnósticos.
Atingindo anônimos e famosos, a doença exige cuidado e intervenção rápida. Fazendo parte desta estatística, Preta Gil, hoje curada após uma cirurgia de reconstrução no seu trato intestinal e reversão da ilestomia, a cantora Simony, que passou por um longo tratamento e o Rei Pelé (em memória) também enfrentou o câncer colorretal.
O que é o câncer de intestino
Segundo Nacif, esse tipo de câncer geralmente se origina a partir de crescimentos anormais de células evoluindo com pequenas lesões chamadas pólipos adenomatosos que podem se tornar cancerígenas ao longo do tempo. “O câncer colorretal pode se desenvolver por muitos anos sem causar sintomas visíveis. No entanto, à medida que o câncer cresce, podem ocorrer sinais e sintomas como mudanças nos hábitos intestinais, sangramento retal, dor abdominal, fraqueza e perda de peso inexplicada”, resume o cirurgião gastrointestinal.
O médico ainda esclarece que os estágios do câncer de intestino variam do estágio I, quando o câncer invadiu toda a parede do intestino, mas não através dela, até o estágio IV, quando o câncer se espalhou para órgãos distantes, como o fígado ou os pulmões.
Causas
De acordo com o cirurgião gastrointestinal, uma dieta pobre em frutas, vegetais, carnes magras, combinada com o consumo excessivo de carnes vermelhas e/ou processadas, pode aumentar o risco de desenvolvimento do câncer colorretal. Além disso, hábitos como o consumo excessivo de álcool, tabagismo e o uso regular de medicamentos anti-inflamatórios não esteroides também estão associados a um maior risco dessa doença.
No entanto, Nacif enfatiza que, embora diversos fatores possam aumentar a probabilidade de desenvolver a doença, ainda não se conhece completamente suas causas específicas. Ele ressalta que os tumores na região geralmente se desenvolvem a partir de mutações genéticas que ocorrem em pólipos, lesões benignas do intestino.
Como é feito o diagnóstico
“O diagnóstico precoce da doença pode ser alcançado através da realização de uma investigação minuciosa, utilizando exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos. No caso específico do câncer colorretal, o rastreamento pode ser conduzido através de dois principais exames: pesquisa de sangue oculto nas fezes e endoscopias (colonoscopia ou retossigmoidoscopia)”, explica o médico.
Câncer de intestino tem cura? Qual é o tratamento?
Segundo Nacif, a identificação precoce do tumor é fundamental, pois aumenta consideravelmente a eficácia do tratamento, alcançando taxas de cura acima de 90%. “Portanto, não se deve nunca negligenciar sinais suspeitos, mas sim buscar avaliação médica especializada”, resume.
Quanto ao tratamento, o médico explica que varia de acordo com o estágio do tumor. Geralmente, a cirurgia é realizada para remover as partes do intestino afetadas pelo câncer. Em estágios mais avançados, a quimioterapia e a radioterapia podem ser necessárias. Em situações onde o câncer está avançando e crescendo rapidamente, tanto a radioterapia quanto a quimioterapia podem ser utilizadas para controlar o crescimento tumoral.
Por fim, Lucas Nacif ressalta a importância de exames periódicos principalmente em pessoas que já tiveram casos de incidência na família (pela hereditariedade) e após os 40 anos para pessoas saudáveis. “A prevenção sempre será o melhor remédio, somado a uma alimentação equilibrada e vida saudável com atividade física”.
*Informações Assessoria de Imprensa









