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Aumento das doenças crônicas durante a pandemia

Doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e crônicas pulmonares continuam sendo as três principais causas de mortalidade no mundo, segundo OMS

por Elide Sbardellotto Mariano da Costa

13/01/2022
Créditos: Freepik

Convido aos leitores e leitoras a começar o ano com reflexões sobre saúde: conforme os últimos dados da Organização Mundial da Saúde 2021 (https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/342703/9789240027053-eng.pdf), as doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, doenças cerebrovasculares e doenças crônicas pulmonares, continuam sendo as três principais causas de mortalidade no mundo, inclusive em tempos de pandemia (2020). Importante salientar que doenças crônicas não transmissíveis continuaram e continuam assolando a população mundial, independente de uma pandemia existir ou não. Assim, os serviços de saúde (independente de públicos ou suplementares, em nível primário ou de alta complexidade) precisam estar preparados para receber e atender com qualidade estes pacientes. Lembrando que doentes crônicos demandam do sistema de saúde continuamente, seja na prevenção dos fatores de risco individuais, seja no tratamento das afecções instaladas ou das complicações, ou ainda, na reabilitação das sequelas das suas doenças.


A Organização Pan-Americana também enfatiza que as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte nas Américas (https://www.paho.org/pt/noticias/29-9-2021-doencas-cardiovasculares-continuam-sendo-principal-causa-morte-nas-americas): “Globalmente, mais pessoas morrem a cada ano de doenças cardiovasculares - principalmente doenças isquêmicas do coração e acidentes vasculares cerebrais (AVC) - do que por qualquer outra causa. Mais de três quartos dessas mortes ocorrem em países de baixa e média renda, onde os casos continuam aumentando. Na América Latina e no Caribe, a hipertensão é uma condição muito comum que causa doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais e os dados da OPAS mostram que muitos (28% das mulheres e 43% dos homens) não sabem que são afetados.”


A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) também traz essa preocupação (https://www.portal.cardiol.br/post/aumenta-o-n%C3%Bamero-de-mortes-por-doen%C3%A7as-cardiovasculares-no-primeiro-semestre-de-2021): “As doenças cardiovasculares (DCV) são líderes de mortalidade no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de 14 milhões de brasileiros têm alguma doença no coração e cerca de 400 mil morrem por ano em decorrência dessas enfermidades, o que corresponde a 30% de todas as mortes no país. São cerca de mil óbitos por dia, números que podem estar sendo agravados em função da pandemia da Covid-19, mostrando ser este um assunto de absoluta relevância. O receio da contaminação também tem feito pacientes portadores de doenças cardiovasculares, e de outras doenças agudas, que necessitam de acompanhamento médico, negligenciarem a rotina de saúde, deixando de ir ao médico. A SBC vem acompanhando a situação devido à redução no número de atendimentos cardiológicos de urgência no país durante a pandemia. Dados divulgados pela Arpen-Brasil (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Brasil) mostram que houve aumento de quase 7% no número de óbitos por doenças cardiovasculares nos primeiros seis meses de 2021, em relação ao mesmo período de 2020. Foram mais de 140 mil mortes registradas contra mais de 150 mil no mesmo período deste ano.”


Outro estudo publicado na Revista Arquivos Brasileiros de Cardiologia (Arq. Bras. Cardiol. 2021; 116(3): 371-380) mostrou que, “em comparação com o mesmo período de 2019, houve um decréscimo de 15% na taxa de internações hospitalares (IH) e de 9% no total de óbitos hospitalares por DCV entre março e maio de 2020, acompanhado de um aumento de 9% na taxa de letalidade intra-hospitalar (LH) por esse grupo de doenças, sobretudo entre pacientes com idade de 20-59 anos. As taxas de IH e LH registradas em 2020 diferiram significativamente da tendência projetada para o corrente ano (p=0,0005 e 0,0318, respectivamente).”


Assim, deixo aqui a minha orientação de que as doenças crônicas não sejam esquecidas, e que seus doentes recebam assistência de qualidade, independente da situação de saúde pandêmica que vier a se apresentar neste ano de 2022.


Ótimo ano a todos e todas. Cuidem da sua saúde. E até a próxima coluna!


* Elide Sbardellotto Mariano da Costa é graduada em Medicina pela UFPR. Especializações registradas: Clínica Médica, Cardiologia e Medicina Preventiva e Social. Área de atuação em Auditoria e Administração em Saúde. MBA Executivo em Gestão de Saúde pela ISAE / Fundação Getúlio Vargas. Mestrado em Medicina Interna pela UFPR. Servidora concursada da Secretaria Estadual de Saúde do Paraná. Em doutoramento pela UFPR, além de colunista do Saúde Debate


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