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As tendências inevitáveis para a telessaúde e a telemedicina

Neste artigo, o diretor Executivo da Província Marista Brasil Centro Sul e professor da pós-graduação da PUCPR, June Cruz, destaca o futuro do serviço

por *June Cruz

13/09/2021
Créditos: Foto de Tima Miroshnichenko no Pexels

A atual circunstância mundial, oriunda da pandemia da Covid-19, tem provocado uma série de adaptações, com grandes impactos no mercado, na gestão e na assistência em saúde. Nesse contexto, uma série de pesquisas recentes tem demonstrado que algumas tendências são inevitáveis, dentre elas, a Telessaúde e a Telemedicina.


No Brasil, com o objetivo de propor uma alternativa de acesso a serviços de saúde, foram intensificadas ações de atendimento, prevenção e monitoramento. Em recente Painel publicado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, cerca de 1/5 dos usuários de internet com 16 anos ou mais utilizaram serviços de telessaúde, com predominância pelos usuários do SUS (63%), os quais representam aproximadamente 74% do total de pessoas que utilizame serviços de saúde no país.


Os termos Telemedicina ou Telessaúde apresentaram um exponencial crescimento na última década. Um levantamento da Associação Brasileira de Planos de Saúde revelou que, com a pandemia, mais de 2,5 milhões de pessoas buscaram o serviço de teleconsultas entre março de 2020 e abril deste ano.

Nesse sentido, uma série de desafios se apresentam e merecem especial atenção da ciência e do mercado, tais como a garantia de que esses serviços sejam prestados com qualidade, a expansão do acesso à saúde em um país com relevantes índices de exclusão digital e a humanização do atendimento por meio desses canais online.


Outros questionamentos que devemos nos fazer sob o ponto de vista da gestão são sobre como estruturar soluções integradas de sistemas, de forma que possamos desenvolver modelos preditivos de saúde:


  • Como remunerar de forma adequada os profissionais, a partir da prática dessa modalidade de atendimento?
  • Como assegurar que as decisões acerca desse tipo de tecnologia, sejam pensadas a partir de boas práticas de governança, que considerem princípios de ESG (Enviromental, Social, Governance)?
  • Como assegurar que os cursos de graduação, mestrados, doutorados e programas de residência estejam provocando os novos profissionais a encarar esse futuro inevitável?


Isso sem mencionar os usuários, lembrando que as práticas mais atuais de mercado nos apontam uma necessidade de traçar objetivos e criar produtos centrados na experiência dos clientes. Dessa maneira, será preciso prever a entrega de serviços remotos, que sejam acessíveis, seguros e que garantam a saúde preventiva. Um desafio constante será também o de preservar o aspecto humano dos atendimentos, mesmo com profissionais e pacientes separados por telas.


Essas são apenas algumas das muitas questões a serem discutidas e refletidas a partir da integração da tecnologia com a saúde humana. Essas questões devem ser fortemente provocadas, por meio da prática da boa ciência e da aplicação criativa da capacidade humana de se adaptar ao denominado novo normal e a suas implicações ainda não conhecidas.


Afinal, nossas experiências recentes nos levam a crer de forma mais intensa no ambiente BANI, que em português significa Fragilidade, Ansiedade, Não linearidade e Incompreensibilidade. A prática da inovação focada em necessidades humanas deve ser pauta constante de empresas e pessoas, que visem responder não apenas os anseios atuais de nossa sociedade, mas prever e responder o que ainda está por vir.





* June Cruz é Diretor Executivo da Província Marista Brasil Centro Sul e Professor do Programa de Mestrado e Doutorado em Administração e do Programa de Mestrado Profissional em Gestão Cooperativa da PUCPR


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