Andar sozinha

schedule
2020-02-07 | 21:10h
update
2026-02-06 | 21:56h
person
Saúde Debate
domain
Saúde Debate

“Eu saio de noite, andando sozinho…” O trecho dessa música me remete a uma reflexão sobre quem tem essa liberdade. Não vou falar de segurança. Falo de liberdade. Eu arrisco dizer que só um homem poderia fazer o que a canção diz. Só um homem sai sozinho à noite andando sozinho. Um homem entra em qualquer lugar, a qualquer hora e segue seu caminho sem medo. Por isso, eu disse que não falo de segurança, todos nós estamos sujeitos à falta de segurança que impera por aí. Mas homens, ainda assim, além de se sentirem um pouco mais seguros, têm liberdade para isso.

Mulheres não têm segurança e nem liberdade. É verdade que hoje muitas mulheres se sentem mais à vontade em circular sozinhas, mas não são vistas com os mesmos olhos que os homens. Não são.

Falo, então, de liberdade. Não temos na mesma proporção que os homens. Infelizmente. Ao contrário, somos treinadas, ensinadas, desde muito cedo a agir dentro de muitos limites: “não faça isso”, “não mostre aquilo”, “seja boazinha” etc. Temos sempre muitos critérios, temos muitas regras a seguir. Uma forma de nos fazer “frágeis”. Mais um tipo de violência velada e que tenta nos limitar, mas já não somos mais tão dóceis, a ponto de não questionar.

Publicidade

Então, felizmente, já sentimos uma transformação importante. As novas gerações não se contentam mais com o pouco que a sociedade oferece nesse sentido. As “novas” mulheres são mais livres, ou pelo menos questionam os limites que se impõem. Não acreditam que “é assim mesmo”. Que bom. O conservadorismo está aí, mas não pouco questionado. Um avanço, o começo do fim. O fim do absoluto. O fim da falta de crítica e questionamento sobre a nossa existência e nossa missão de mundo.

Enfim, andar por aí, sair sem destino, entrar onde quiser, seja fisicamente ou como pensamento crítico, com a liberdade de falar, discutir, pensar, refletir e, principalmente, de escolher. Ainda não é fácil. Mas já iniciamos a jornada.

 

Em caso de necessidade própria ou de outra mulher que esteja passando por qualquer tipo de violência, entre em contato com a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180.

Este é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres em todo o Brasil. As ligações para o número 180 podem ser feitas de qualquer aparelho telefônico, móvel (celular) ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, aos finais de semana e feriados inclusive.

Publicidade

Cunho
Responsável pelo conteúdo:
saudedebate.com.br
Privacidade e Termos de Uso:
saudedebate.com.br
Site móvel via:
Plugin WordPress AMP
Última atualização AMPHTML:
06.02.2026 - 21:56:53
Uso de dados e cookies: