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Aleitamento materno: a importância para o desenvolvimento das funções orofaciais

Confira o artigo da vice-presidente do Crefono3, Jaqueline Maria Oliani Ijuim, elaborado em conjunto com a professora doutora Aline M. Arakawa Belaunde

por Crefono3

03/08/2020
Créditos: Pixabay

No Brasil, desde 2017, comemoramos o Agosto Dourado. Dourado, pois o leite materno é considerado o “alimento de ouro” para a saúde dos bebês. Os benefícios nutricionais, imunológicos e afetivos do aleitamento materno (AM) são amplamente divulgados. O AM proporciona benefícios tanto para a mãe como para o bebê. A composição do leite materno tem nutrientes que protegem a criança contra infecções (fatores imunológicos), previne a obesidade, reduz o risco de alergias, edemas e cólicas intestinais.


Mas, você sabia que existe outro grande benefício? A importância do AM no desenvolvimento das estruturas craniofaciais (lábios, língua, bochechas, palato duro e mole) e motor oral (sugar, mastigar, engolir-deglutir, respirar e articular sons da fala) do bebê e na diminuição do risco de problemas auditivos causados por otites. Vamos falar um pouco sobre isto.


Amamentar é muito mais que um ato de amor, é um ato de esforço do bebê. Este esforço (um ótimo exercício muscular) proporciona um adequado desenvolvimento da face e musculatura envolvida. Estas estruturas são as mesmas utilizadas na mastigação e na fala, que a criança ainda vai aprender e desenvolver, por isso a importância dos estímulos do AM.


Estudos comprovaram que, além dos fatores genéticos, o crescimento dessas estruturas é altamente influenciado pelo trabalho dos músculos envolvidos na sucção, deglutição e posteriormente na mastigação, dos dentes, do movimento da língua dentro da boca. Todos esses aspectos estão interligados com o AM. O AM favorece e propicia o crescimento e desenvolvimento da maxila e da mandíbula, e com isso a respiração e a deglutição são bastante beneficiadas, estimulando um padrão respiratório nasal e prevenindo hábitos inadequados (deletérios) como sucção de dedo e de chupeta além de más oclusões.


O aleitamento natural propicia um adequado crescimento e desenvolvimento dos órgãos fonoarticulatórios (lábios, língua, palato duro e mole) e das respectivas funções de respiração, sucção, deglutição, mastigação e articulação. A sucção no seio materno aprimora a postura e tonicidade da musculatura orofacial que participa deste ato. Uma musculatura com tônus adequado é fundamental para o desenvolvimento da mastigação e da articulação dos sons da fala.


Para que ocorra a sucção de forma eficiente e coordenada, o recém-nascido necessita que seus reflexos e estruturas estejam prontos - reflexo de busca e sucção, vedamento labial ao redor do mamilo, correta movimentação de língua e mandíbula, sucção ritmada e coordenação entre sucção, deglutição e respiração. Quando essa harmonização de atos não ocorre, o Fonoaudiólogo pode estar presente e auxiliar a mãe e o bebê.


Outro fator importante do AM é a posição que o bebê fica ao mamar no seio. A tuba auditiva (ligação da cavidade oral com o ouvido, que faz o controle da pressão no ouvido) do recém-nascido é horizontalizada e pode favorecer a passagem do leite até o ouvido. Portanto, deve-se evitar que a amamentação seja com o bebê deitado evitando-se otites. 


A Organização Mundial da Saúde orienta o AM exclusivo por seis meses e complementado até os dois anos ou mais.


Veja abaixo quais as vantagens do AM:


- fortalecimento de fatores nutricionais, imunológicos e afetivos

- proporciona o correto desenvolvimento das estruturas craniofaciais

- prevenção de hábitos deletérios

- prevenção de perda auditivas induzidas por otites

- proporciona a respiração nasal

- proporciona a adequação das estruturas necessárias para o desenvolvimento da mastigação e da fala


Algumas informações da Unicef (https://www.unicef.org/brazil/aleitamento-materno) sobre o AM:


- “O leite materno é o melhor alimento que um bebê pode ter. É de fácil digestão e promove um melhor crescimento e desenvolvimento, além de proteger contra doenças. Mesmo em ambientes quentes e secos, o leite materno supre as necessidades de líquido de um bebê. Água e outras bebidas não são necessárias até o sexto mês de vida. Dar ao bebê outro alimento, que não o leite materno, aumenta o risco de diarreia ou outra doença”.


- “Bebês recém-nascidos devem ficar perto de suas mães e devem ser amamentados na primeira hora após o parto. O colostro, o leite amarelado e grosso que a mãe produz nos primeiros dias após o nascimento, é o alimento ideal para recém-nascidos. É muito nutritivo e ajuda a proteger o bebê contra infecções. O bebê não precisa de nenhum outro alimento enquanto espera que a mãe produza mais leite”.


- “A amamentação frequente faz com que a mãe produza mais leite. Quase toda mãe é capaz de amamentar com sucesso. No entanto, muitas mães precisam ser encorajadas e ajudadas para que possam começar a amamentar”.


- “O aleitamento materno protege bebês e crianças pequenas de doenças perigosas. O leite materno é a primeira ‘vacina’ do bebê. A amamentação também é responsável por criar um laço maior entre mãe e filho”.


- “A mãe que amamenta precisa de uma maior quantidade de alimentos e líquidos. Assim supre suas necessidades e produz leite em quantidade e qualidade adequadas ao bebê. Ela precisa comer frutas, verduras, carnes, miúdos, legumes, feijão e arroz, que possuem os nutrientes e vitaminas de que precisa. Deve beber bastante líquido: chás, água, sucos ou leite. Isso ajuda a produzir leite. E não deve consumir álcool, fumo e outras drogas, nem tomar medicamentos sem receita médica”.


Segundo a Unicef, “Amamentação é um direito garantido por lei. Todas as mães têm o direito de amamentar seus filhos. No trabalho, em casa e até quando estão privadas de liberdade, elas têm direito a alimentar o seu filho no peito. O aleitamento materno é também um direito da criança. Segundo o artigo 9º do Estatuto da Criança e do Adolescente, é dever do governo, das instituições e dos empregadores garantir condições propícias ao aleitamento materno”.


O Fonoaudiólogo atua nas maternidades e hospitais com UTI neonatal para auxiliar as mães no ato do aleitamento materno. Também atua com os recém-nascidos prematuras que não conseguem sugar e outros bebês que por ventura tem dificuldades na sucção.


Portanto, se você está com dificuldade de amamentar seu bebê, procure ajuda e orientação, o Fonoaudiólogo é um dos profissionais que podem te ajudar.


* Vice-presidente do Crefono3, Fga. Ms. Jaqueline Maria Oliani Ijuim, e Profª Dra. Aline M. Arakawa Belaunde, Universidade Federal de Santa Catarina



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