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Adiamento de exames de rotina pode levar à epidemia de câncer nos próximos anos

Projeção é de entidades da área da saúde como reflexo da pandemia de Covid-19, quando uma parte da população adiou consultas e exames preventivos

por Saúde Debate, com informações da assessoria de imprensa

14/07/2021
Créditos: ijeab / Freepik

Levantamentos recentes têm acionado um alerta na comunidade médica quanto ao aumento dos casos de câncer em estágio avançado e metastático. Em função da atual pandemia, por medo de aglomerações e possíveis contaminações pela Covid-19, muitas pessoas deixaram de lado os exames básicos de rotina, fundamentais para o diagnóstico precoce e maior chance de tratamento efetivo dos diversos tipos de câncer. Por isso, já se estima que o adiamento de exames de rotina pode levar à epidemia de câncer nos próximos anos.

 

Um levantamento da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) junto a especialistas da área mostrou que 74% dos profissionais entrevistados tiveram um ou mais pacientes com tratamentos postergados durante a primeira onda da pandemia. Para 10% dos especialistas, a procura por orientação médica e consultas de rotina caiu entre 40 e 60% no período. No Sistema Único de Saúde (SUS), o número de pacientes oncológicos que iniciaram o tratamento diminuiu cerca de 30% também.


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Entre os tipos de câncer que mais preocupam está o de colo do útero. Considerado o quarto mais comum entre as mulheres, o câncer de colo do útero acometeu aproximadamente 16 mil brasileiras somente no ano de 2020, levando praticamente metade delas, à morte. De acordo com especialistas, o período da pandemia até o momento registrou um aumento de 40% nas cirurgias oncológicas nesse sentido. Por isso, a necessidade de se discutir como o adiamento de exames de rotina pode levar à epidemia de câncer nos próximos anos.

 

Por se tratar de um câncer previsível, a melhor maneira de prevenção é o diagnóstico precoce. Com os avanços da medicina, um dos métodos que tem demonstrado resultados eficazes, desenvolvido por meio da testagem molecular, é a Captura Híbrida. Por ser um teste mais sensível, pois detecta o material genético (DNA) do vírus HPV, principal causador da doença, não é necessária a presença da lesão para ser detectado e pode ser realizado em mulheres a partir dos 30 anos de idade. A partir de um resultado negativo, a recomendação de novo rastreio é a partir de cinco anos.


Esse tipo de metodologia permite identificar 13 tipos do HPV de alto risco oncológico. "A testagem molecular existe há mais de vinte anos e está entre os testes mais utilizados pelos médicos para rastreio genético do HPV. Até hoje, mais de 100 milhões de mulheres já foram testadas em todo mundo. Aliado a esse fato, temos estudos clínicos que, ao serem somados, já testaram mais de 1 milhão de pacientes. Dessa forma, temos uma vasta literatura científica apontando os benefícios da Captura Híbrida. Vale ressaltar que esse é um teste robusto, possui diversos controles e calibradores, o que garante um resultado confiável", aponta Paulo Gropp, vice-presidente da QIAGEN na América Latina – multinacional alemã especialista em tecnologia para diagnóstico molecular.


A partir de um diagnóstico precoce, é possível obter mais sucesso com o tratamento do câncer, evitando processos mais agressivos, inclusive. Além disso, minimiza os impactos psicológicos e familiares de um tratamento contra o câncer, o que pode incluir ainda afastamento do trabalho e problemas em relacionamento social. Além disso, possibilita uma redução de custos na rede de saúde, uma vez que a eficiência da prevenção diminui os casos da doença e a necessidade de tratamento.


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