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A terceira dose da vacina contra Covid-19 será para todos?

Especialistas ainda divergem sobre a indicação para toda a população; por enquanto, idosos acima de 70 anos e imunossuprimidos recebem o reforço

por Saúde Debate

13/09/2021
Sobre: Ainda não há unanimidade para se a aplicação da terceira dose da vacina contra Covid-19 será para todos os brasileiros
Créditos: Freepik

Após a recomendação da dose de reforço de imunizantes contra o coronavírus para dois públicos específicos, parte da população questiona se a terceira dose da vacina contra Covid-19 será para todos. Especialistas ainda divergem sobre o assunto. De concreto, até este momento, está a recomendação do Ministério da Saúde para a aplicação de mais uma dose para idosos acima de 70 anos e os imunossuprimidos (pessoas com baixa imunidade em função de doenças ou procedimentos realizados, como o transplante). A estimativa da pasta é iniciar a distribuição de doses extras para esta etapa da campanha a partir da segunda quinzena de setembro.


Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e diretor clínico do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, Alberto Chebabo, a indicação de que a terceira dose da vacina contra Covid-19 será para todos precisa ser mais estudada. A indicação requer mais evidências, apesar de não existir dúvidas sobre essa necessidade para os idosos. "Ainda não estou convencido de que uma terceira dose vai ser necessária para toda a população. Neste momento, não tenho dúvida de que vai ser importante para a população com mais de 60 anos e imunossuprimidos. Para os demais, precisa de evidências, precisa de dados, para a gente poder tomar uma decisão melhor", disse Chebabo. De acordo com ele, uma dose de reforço poderia ser estendida aos profissionais de saúde para reduzir as infecções hospitalares e afastamentos do trabalho. 


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Chebabo apresentou estudos realizados no Reino Unido e em Israel para demonstrar a eficácia das vacinas contra a Covid-19. As pesquisas indicam que a proteção das vacinas contra casos leves na população em geral tende a diminuir seis meses após a segunda dose, enquanto a proteção contra casos graves e internações é mais duradoura, pelo menos aparentemente. Por isso, o médico infectologista argumenta que há dúvidas se uma terceira dose da vacina contra Covid-19 para todos conseguirá produzir imunidade prolongada contra casos leves ou se a queda da proteção contra a Covid-19 leve irá se repetir meses depois da aplicação e manter um cenário propício à circulação do vírus. 


Israel aplicou somente a vacina da Pfizer, com um intervalo de três semanas entre as doses. Quando detectou uma alta nos testes positivos para covid-19, o país decidiu reforçar a imunização de toda a população com mais uma dose de Pfizer - seis meses após a segunda dose. Já o Reino Unido usou Pfizer e AstraZeneca, ambas com 12 semanas de intervalo entre as doses. Especialistas investigam se a diferença no intervalo entre a primeira e a segunda dose pode explicar disparidades na efetividade das vacinas contra casos leves da variante Delta, já que um dos estudos apontou proteção menor entre os vacinados de Israel, em uma comparação que considera somente quem tomou Pfizer no Reino Unido e no Canadá. "A gente vê que, provavelmente, quando a gente estica esse intervalo de avaliação, com 12 semanas a gente consegue uma melhor proteção", comentou o infectologista, que ponderou que o estudo analisado foi publicado em preprint e ainda precisa ser avaliado por outros cientistas. 


Esse panorama foi apresentado por Chebabo durante a Jornada Nacional de Imunizações, realizada entre os dias 9 e 11 de setembro pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Na mesma ocasião, o professor de infectologia da Escola Paulista de Medicina e diretor clínico do Grupo Fleury, Celso Granato, destacou que haverá necessidade de um percentual alto de imunização para que efetivamente o coronavírus deixe de circular. "Estabelecer imunidade de rebanho para um vírus que sofre mutação em transmissão respiratória é muito complexo", avaliou. "Existe, para qualquer doença infecciosa, uma imunidade de rebanho, mas o nível é muito mais alto do que aquele que a gente imaginava, muito provavelmente 80%, 90%, algo muito mais próximo do sarampo do que de outras doenças menos infecciosas", salientou.


* Com informações da Agência Brasil


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