Setor de saúde suplementar discute futuro com IA: especialistas apontam caminhos para eficiência sem ruptura

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2025-07-18 | 13:00h
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2026-02-13 | 21:53h
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(Foto: Divulgação/Fabricio Valadão)

Os últimos anos trouxeram avanços relevantes em tecnologia e IA capazes de auxiliar empresas na identificação de padrões, erros e inconsistências com mais precisão e escala. Em 2024, 17% dos profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros, já utilizam ferramentas de inteligência artificial, segundo dados da pesquisa TIC Saúde. Apesar do percentual expressivo, ainda há muito espaço para avançar.

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Em um setor apertado por margens curtas, que chegam a apenas 1,5% em média nas operadoras de saúde, eficiência operacional deixou de ser diferencial e passou a ser condição para sobrevivência. Pensando nisso, a Arvo, empresa especializada em integridade de pagamentos em saúde, e o Google Cloud se uniram para desmistificar o uso de IA na saúde, principalmente na área de Operações.

Durante o evento “Saúde Nada Artificial”, especialistas do setor de tecnologia e saúde compartilharam tendências globais e visões práticas sobre como a Inteligência Artificial, ainda pouco utilizada pelo segmento, pode contribuir para uma operação mais eficiente sem comprometer a entrega de valor ao beneficiário.

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Líder da estratégia de saúde do Google Cloud no Brasil, Maurício Craveiro Hauptmann apresentou a atuação da companhia no setor e como a tecnologia pode auxiliar na jornada do paciente.

Segundo pesquisa “CEO Survey 2025” da PwC, 53% dos CEOs do setor da saúde no Brasil possuem alta confiança na integração da IA em processos-chave.

Donald Neumann, Chief Data & Analytics Officer da Arvo, explicou as diferentes técnicas e aplicações dentro da IA, que permitem resolver pontos de fricção em variados pontos da jornada do beneficiário, envolvendo prestadores de serviço e operadoras de saúde. Dentre as ferramentas estão big data e machine learning; extração e estruturação de conteúdo; geração de conteúdo; agente de IA e sistemas autônomos; e plataformas, interoperabilidade e gestão de dados.

“Desenvolver essas tecnologias internamente leva tempo e custa dinheiro. Não faz sentido cada empresa investir para ter uma equipe e tecnologia para fazer isso. Nesse sentido, é importante fazer uma reflexão sobre se é o melhor caminho, ou se unir forças com parceiros especializados de confiança”, afirma Donald.

Com a experiência acumulada em cargos como CEO da Amil e vice-presidente da DASA, e uma trajetória marcada por inovação e gestão em larga escala, Sergio Ricardo Santos, vice-presidente da healthtech Galileu, destacou que a área da saúde passa por um processo de ruptura e precisa se adaptar aos novos tempos.

“É um setor que tem oportunidades como nenhum outro na economia mundial e que vive uma radical ruptura. Muitas das coisas que nós falamos e fazemos não faremos mais. Mas educaremos inteligências artificiais para fazerem, de forma escalável. Inúmeras funções estão no alvo das inteligências artificiais. Elas não vão substituir o humano, mas aprimorar e trazer outras camadas para essas funções”.

O evento reforçou que a adoção da inteligência artificial na saúde não é apenas inevitável – é estratégica. Começar pequeno, com foco em impacto, pode ser o melhor caminho para destravar inovações que tragam escala e sustentabilidade ao sistema de saúde suplementar brasileiro.

IA para processamento de contas

A saúde suplementar tem vivido dificuldades financeiras nos últimos anos. Em 2024, depois de três anos de prejuízo operacional, há um primeiro sinal de recuperação, com resultado positivo de R$ 5,1 bilhões. Estimativas indicam que fraudes, desperdícios e abusos consomem até 16% da receita total, superando R$ 34 bilhões anuais.

“A inteligência artificial está transformando como a humanidade funciona, como as coisas acontecem e impactando muitos negócios e o setor de saúde. Vimos uma modesta recuperação no ano passado, mas a situação financeira da saúde suplementar é delicada. As fraudes, abusos e desperdícios ameaçam a sustentabilidade e eficiência operacional”, afirmou o cofundador e CEO da Arvo, Fabricio Valadão.

Incorporar ferramentas aos processos regulatórios é o caminho para fortalecer decisões, reduzir ruídos e garantir sustentabilidade ao sistema, com mais segurança para as operadoras e previsibilidade para prestadores e cuidado adequado ao paciente.

“A inteligência artificial pode ter um papel muito grande para enxergar o que está redundante, não pertinente e causando um custo que não tenha valor agregado a ele. A IA consegue identificar padrões, o que está contratualizado com aquele prestador, o que está sendo cobrado e se há algum desvio”, destacou Newton Nunes, presidente da Unimed Teresina e diretor financeiro da Unimed Participações.

Diretor técnico na Athena Saúde, holding com mais de 1,5 milhão de beneficiários, e diretor na Abramge, Paulo Jorge Cardoso, citou a experiência positiva no uso de ferramentas de inteligência artificial no dia-dia da empresa, tanto na área administrativa, quanto na de operações.

“O melhor case que temos visto é processamento de contas, para que a gente consiga identificar padrões de inconsistências de faturamento dos hospitais, incluindo duplicação de código, cobrança de materiais e medicamentos que não tem a ver com aquele procedimento. Não faz o menor sentido insistir no modelo manual”, afirma Paulo Jorge.

*Informações Assessoria de Imprensa

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