Metaverso pode prejudicar a saúde mental?

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(Foto: Ilustração/Freepik)

O Metaverso promete revolucionar as interações sociais e de trabalho. O ambiente virtual compartilhado e colaborativo permite simular as interações humanas do mundo real, no entanto, qual será o impacto de uma vida conectada para a saúde mental? O psicólogo da Holiste Psiquiatria, Cláudio Melo, explica que as relações audiovisuais à distância vieram para ficar, mas não substituem a presença física.

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“Acho curiosa essa forma de nos referirmos às interações on-line como relação virtual. É como se elas não existissem, fossem algo imaginário. A pandemia foi um catalisador da interação audiovisual à distância, desde o simples bate-papo e do home office até a telemedicina. O metaverso vem ampliar mais ainda essas possibilidades. Contudo, é claro que esse tipo de interação não substitui a presença real. Devemos vê-las como um complemento, um substituto na impossibilidade da relação presencia”, afirma.

Para o psicólogo, o problema não está nas novas tecnologias, mas no mau uso que se faz delas. Ainda assim, essa é uma questão antiga que perpassa diversas inovações, como o rádio, a televisão e o videogame. Porém, utilizar este ou aquele aparelho não é suficiente para adoecer uma pessoa saudável. O especialista ainda lembra que, através das consultas online, muitos pacientes passaram a cuidar da saúde mental pela internet e este fenômeno pode ganhar força no metaverso.

“A questão é que a pessoa que faz um mau uso deste tipo de ferramenta provavelmente já estava adoecida ou predisposta a adoecer. Por exemplo, indivíduos com problemas de autoimagem podem abusar patologicamente desse mundo virtual. Por outro lado, a possibilidade de interagir sem sair de casa pode ser um instrumento para facilitar a sociabilidade de muitos indivíduos que se fecham dentro do quarto por outros problemas e, talvez, um meio para que procurem ajuda”, comenta Melo.

Apesar de não ser um vilão, o mundo virtual que se abre com o metaverso guarda alguns riscos, como se tornar uma fuga das responsabilidades, das tomadas de decisão, dos incômodos da vida real. “Qualquer comportamento que seja disfuncional, que impeça a pessoa de realizar as atividades do dia a dia ou que coloque em risco a saúde física ou psíquica merece atenção especial. Sinais de ansiedade, sintomas depressivos, mudanças repentinas no comportamento, alterações no ciclo de sono podem ser sinais de alerta para buscar atendimento especializado”, finaliza o psicólogo.