Foi num sorteio despretensioso de fim de ano, na festa dos colaboradores, desses que a gente participa sem expectativa real de ganhar. No entanto, ganhei. Um voucher de uma agência de viagens. Cinco mil reais em possibilidades (pacote ou passagem, dependendo do que eu quisesse desenhar). E, com ele, uma pergunta incômoda: o que alguém que não é exatamente do tipo viajante faz com uma viagem?
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Viajar, para mim, sempre foi algo que precisava de um motivo maior. Uma força empurrando… um planejamento, família ou amigos organizando e você não podendo muito dizer não. Ou seja, uma espécie de chamado. E, curiosamente, ao abrir aquela pequena caixinha-preta misteriosa ofertada pelos doutores Paulo e Bley, senti exatamente isso. Como se, junto com o prêmio, viesse um sussurro: “vá”.
O destino não surgiu de um catálogo turístico nem de um sonho antigo. Veio de uma lembrança recente, quase esquecida, de quando ouvi falar de um lugar chamado Monte Gargano. Um nome que, até então, não fazia parte da minha geografia emocional. Entretanto, fazia parte de algo maior, de uma história espiritual, de uma conexão difícil de explicar, dessas que não passam pelo raciocínio, mas pelo sentir.
E ali, entre uma busca despretensiosa e outra, surgiu também Loreto, uma cidade que conta com uma aparição de Nossa Senhora. Mais um ponto no mapa que eu nunca havia procurado, mas que, de alguma forma, parecia me esperar. Foi quando percebi: aquela viagem não estava sendo planejada por mim. Eu só estava concordando com ela.
Assim, a rota foi se desenhando quase sozinha. Um pedaço de férias virou travessia. Dez, doze dias, o suficiente para caber não só o inesperado, mas também…