
O médico e bioeticista Urban Wiesing, diretor do Instituto de Ética e História da Medicina da Universidade de Tübingen e conselheiro de ética da World Medical Association (WMA), foi um dos palestrantes da 2ª Reunião Regional Aberta de Especialistas da entidade, realizada nesta quinta-feira (5) e com término nesta sexta-feira (6), em São Paulo, na sede da Associação Paulista de Medicina (APM).
Durante o encontro, que integra o processo internacional de revisão da Declaração de Taipei, Wiesing apresentou a palestra “Quando dados clínicos se tornam dados de pesquisa – aspectos éticos”, na qual discutiu os desafios éticos relacionados à utilização de informações coletadas no cuidado médico para fins científicos.
O especialista destacou que, com o crescimento das bases de dados em saúde e dos biobancos, torna-se cada vez mais frequente o uso secundário de dados clínicos, ou seja, informações originalmente obtidas no atendimento ao paciente sendo posteriormente utilizadas em estudos e pesquisas. Segundo ele, essa prática pode trazer benefícios importantes para o avanço do conhecimento médico, mas exige salvaguardas éticas claras.
Entre os pontos centrais da discussão, Wiesing abordou o princípio da limitação de finalidade, que estabelece que os dados coletados para determinado propósito devem ter regras claras sobre como poderão ser utilizados posteriormente. Nesse contexto, reforçou também a importância do dever de cuidado por parte de médicos, pesquisadores e instituições responsáveis pelo armazenamento e análise dessas informações.
Para o bioeticista, o desafio atual está em equilibrar o potencial científico e social do uso de grandes bases de dados com a proteção dos direitos, da privacidade e da confiança dos pacientes.
Confira a programação completa da reunião clicando aqui.
Assessoria de Comunicação da AMB











