
A partir desta segunda, 10, Belém do Pará sedia a COP 30 — a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Pela primeira vez, o Brasil recebe esse encontro global em um território que simboliza, ao mesmo tempo, a riqueza e a fragilidade ambiental do planeta: a Amazônia. O evento é histórico não apenas para a diplomacia e o meio ambiente, mas também para a saúde pública. Afinal, a crise climática já é, indiscutivelmente, uma crise de saúde.
Os médicos têm testemunhado em seus consultórios, hospitais e comunidades os efeitos concretos das transformações climáticas. As ondas de calor extremo aumentam internações por desidratação, doenças cardiovasculares e respiratórias. A elevação da temperatura e das chuvas modifica a dinâmica de vetores, favorecendo a disseminação de doenças como dengue, zika e malária, entre outras. A fumaça das queimadas agrava quadros pulmonares, enquanto desastres naturais e eventos extremos provocam sofrimento psíquico, ansiedade e depressão.
Essas situações não são projeções futuras — são realidades que já desafiam o Sistema Único de Saúde (SUS) e os profissionais da medicina em todo o país. É por isso que a COP 30 precisa ser entendida também como uma conferência sobre saúde. O impacto das mudanças climáticas sobre o bem-estar humano deve estar no centro das discussões globais.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou que milhões de vidas podem ser salvas até 2050 se os países adotarem medidas de mitigação e adaptação climática orientadas pela saúde. O chamado “Plano de Ação de Belém”, que integra a agenda da COP 30, enfatiza justamente a necessidade de respostas com foco na equidade e na justiça social — reconhecendo que as populações mais vulneráveis, como comunidades indígenas, ribeirinhas e periféricas, são as que mais sofrem os efeitos da degradação ambiental.
Como presidente da Associação Médica…







