
Com o número de faculdades de medicina crescendo em ritmo maior do que o de vagas em residências médicas, tem aumentado no mercado a oferta de cursos de especialização a recém-formados como alternativa para quem quer seguir uma especialidade. A proliferação desse tipo de pós-graduação, contudo, tem despertado preocupação entre representantes do setor, que veem falta de controle quanto à qualidade e à função desses programas. A Demografia Médica no Brasil 2025, elaborada em parceria entre o Ministério da Saúde, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e a Associação Médica Brasileira (AMB), evidenciou que o crescimento acelerado da graduação em medicina no Brasil, sobretudo na rede privada, não foi acompanhado por um aumento proporcional de vagas em residência médica — o principal meio de formação de especialistas.
Nos últimos dez anos, o número de vagas autorizadas em cursos de medicina mais do que dobrou, indo de 23,5 mil em 2014 para 48,4 mil em 2024. A rede privada concentrou cerca de 80% (38,4 mil) do total de vagas na área no ano passado. Enquanto isso, a oferta de residências médicas teve aumento tímido nos últimos anos, passando de 22,1 mil em 2018 para 24,2 mil em 2024. Em 2020, havia 13,7 mil vagas para 20,3 mil formados. Em 2024, o descompasso aumentou: foram 16,1 mil vagas de acesso direto para 32,6 mil graduados. Além disso, a maioria dos residentes (62%) estava concentrada nas capitais. Sem conseguir uma vaga na residência, muitos recém-formados optam por cursos de pós-graduação médica. Contudo, apesar de oferecerem capacitação profissional, esses cursos não conferem o título de especialista, que só é reconhecido por duas vias: a residência médica credenciada pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), vinculada ao MEC, ou aprovação em exame realizado por sociedades de especialidade filiadas à AMB. Em 2024, segundo a Demografia Médica, o país já…







