AMB
A divulgação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), no último dia 19, caiu como uma bomba entre especialistas e professores de Medicina. Entre os cerca de 39 mil estudantes que estão encerrando a formação, cerca de 67% alcançaram o nível de proficiência exigido, a partir da nota 3. Isso significa que quase 13 mil alunos prestes a se tornarem médicos não comprovaram conhecimentos mínimos para a prática da profissão.
As notas reavivaram discussões já aquecidas no meio médico sobre a proliferação de escolas de Medicina nos últimos anos, principalmente desde a criação do programa Mais Médicos, em 2013, que incentivou a expansão da formação médica no país, na intenção de levar profissionais a áreas desassistidas.
— Esse movimento nasce de uma ideia que que cultuava bons princípios, mas que se provou equivocada, de instalar escolas médicas em municípios carentes. O problema é que muitas vezes esses são justamente os os lugares sem condições de formar um médico. Quando os alunos chegam ao momento do estágio, em geral entre o quarto e sexto ano, não encontram estrutura local para isso. E 40% do curso de Medicina é composto pelo ensino prático — diz o ginecologista e obstetra César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB).
A partir da promulgação da Lei do Mais Médicos, a submissão de novas propostas para abertura de escolas de Medicina passou a ser condicionada a chamamentos pensados regionalmente. O Ministério da Educação (MEC) publica um edital dizendo em quais regiões do país há interesse em novos cursos, com base em critérios como a carência de médicos e a estrutura da rede de saúde local, incluindo sua capacidade de absorver estudantes em estágios e internato.
Segundo um levantamento da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), com dados solicitados ao MEC por meio da Lei de Acesso à Informação, em 2025 o Brasil atingiu a…