AMB
Banalização do uso e perda de massa muscular entram no radar dos especialistas
A popularização dos medicamentos para tratamento da obesidade trouxe novos desafios para médicos e pacientes. Se em 2025 as discussões durante o Congresso Brasileiro de Nutrologia já alertavam para a corrida pelas canetas emagrecedoras, em um contexto de crescimento da obesidade em todo o mundo, o CBN 26 – XXX Congresso Brasileiro de Nutrologia (CBN 2026) e III World Congress of Nutrology, que marcou os 30 anos do evento, mostrou que os desafios agora são outros.
Os atuais fármacos baseados em incretinas, como os agonistas de GLP-1 e GIP, continuaram em evidência, mas novas questões ganharam espaço nas discussões entre especialistas: como controlar a banalização do uso desses medicamentos? Como promover uma perda de peso eficaz sem comprometer a massa muscular? Como monitorar a avalanche de fake news associadas aos resultados milagrosos com o uso desses medicamentos e garantir que essas terapias sejam utilizadas de forma segura, com indicação e acompanhamento médico?
“Podemos dizer que vivemos um momento de desafio sanitário, com a aquisição de produtos não reconhecidos pela ANVISA, sem armazenamento adequado, fora da temperatura ideal e o uso sem prescrição. O resultado começa a se refletir no aumento de casos de pancreatite, por exemplo, ou outros efeitos colaterais, que seriam controlados se houvesse um acompanhamento médico”, alerta o Prof. Dr. Durval Ribas Filho – médico mutrólogo, Fellow da The Obesity Society – TOS (USA), presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e palestrante do CBN 26.
O especialista ressalta que sempre há o risco de um processo de banalização, mas que o momento que estamos vivendo hoje exige uma atenção especial dos médicos e das autoridades, considerando que a obesidade é uma doença crônica, com dezenas de comorbidades, e precisa de orientação nos seus cuidados.