
O resultado da primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), que mostrou que um terço dos cursos de medicina avaliados teve desempenho insatisfatório, não surpreendeu médicos e gestores de saúde.
Para eles, o exame apenas confirmou um problema que já vem sendo observado na prática: a formação deficiente de parte dos novos médicos tem elevado o risco aos pacientes e aumentado o desperdício de recursos dentro dos serviços de saúde.
“Esse profissional pede exames errados, faz prescrições inadequadas e muitas vezes indica procedimentos desnecessários. Além de jogar dinheiro fora, ele causa dano ao paciente e aumenta o risco de processos contra os hospitais”, diz Francisco Balestrin, presidente do Sindhosp, sindicato paulista dos hospitais, clínicas e laboratórios privados.
A dificuldade é sentida especialmente nos serviços de emergência, em que há maior dificuldade de contratação de médicos preparados.
“Onde deveriam estar os melhores, estão os mais frágeis. Há muita rotatividade e falhas básicas de formação. Os hospitais acabam tendo que treinar esses médicos depois de contratados, algo que instituições médias e pequenas não conseguem bancar”, diz Balestrin.
Esse movimento tem impulsionado empresas de ensino médico voltadas ao treinamento pós-formação. “Cursos para se transformar em algo que eles deveriam ter saído da escola para fazer, e não saem”, afirma.
O diagnóstico é compartilhado por Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados). Segundo ele, os hospitais de excelência estão tendo que “corrigir o que não foi ensinado”, ou seja, preparar a mão de obra após a contratação.
“A maior contratação é para plantões e emergências. E é exatamente aí que a falta de qualificação é mais grave. O profissional começa [a carreira] pelo mais crítico, na emergência, quando deveria…











