Um levantamento inédito realizado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) identificou as principais necessidades e dificuldades enfrentadas por médicos no atendimento a mulheres vítimas de violência — seja ela psicológica, moral, sexual, física ou patrimonial. A iniciativa integra a próxima etapa da campanha #EuVejoVocê, voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher em todas as fases da vida. A apresentação foi realizada nesta terça-feira (10) e contou com a presença do Dr. César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB).
O estudo buscou mapear lacunas estruturais e técnicas no atendimento, compreender o nível de preparo e segurança dos profissionais, além de identificar dificuldades relacionadas à rede de apoio e aos fluxos de encaminhamento. Os dados também servirão de base para a formulação de estratégias que fortaleçam a atuação médica diante desses casos.
Entre os participantes do levantamento, 66,09% são mulheres. A maior parte das respostas veio de profissionais dos estados de São Paulo (31,83%) e Minas Gerais (11,42%). Cerca de 61% dos médicos atuam tanto na rede pública quanto na privada, e 57,24% afirmaram atender vítimas de violência ao menos ocasionalmente — o que evidencia a presença recorrente desse tipo de situação na prática clínica.
Entre as formas de violência mais frequentemente identificadas pelos profissionais estão a psicológica ou emocional (82,99%), seguida da violência sexual (50%), física (34,38%) e patrimonial (24,65%). Apesar da frequência desses casos, 23% dos médicos entrevistados relatam sentir-se pouco ou nada preparados para lidar com esse tipo de situação, apontando uma lacuna importante na formação e capacitação profissional.
“Ao apresentar esses dados, assumimos nosso papel institucional de liderar esse debate, transformar conhecimento em ação e fortalecer nossos…