Jornal Folha de SP – Formação médica responsável, para o bem de todos – AMB


Defendemos que estudantes sejam avaliados por exames durante e após a graduação, assim como faculdades e centros de prática a elas integrados.

A boa qualidade de formação do médico é vital para o atendimento apropriado da população. Devido às características da profissão, o preparo para jovens entrarem no mercado de trabalho é longo e exaustivo. São seis anos de graduação, que devem ser complementados por outros dois a cinco anos de residência médica em alguma área específica. Infelizmente, vivemos no Brasil duas angustiantes situações relacionadas com ambas as etapas da formação médica. A primeira é com a graduação: hoje são 448 faculdades, 256 delas abertas após a promulgação da lei do Mais Médicos, de 2013, com 292 solicitações em tramitação para novos cursos ou ampliação do número de vagas. O fato é que, em um curto período, passamos de 388 mil para quase 650 mil médicos sem que se solucionasse ou amenizasse o problema da distribuição assimétrica, uma vez que os médicos preferem se estabelecer nas regiões Sul e Sudeste e em cidades de maior porte, em busca de melhores oportunidades profissionais e pessoais.

Esse crescimento desmesurado ocorreu sem rígidos critérios regulatórios, de modo que muitos dos novos cursos, em especial os privados, funcionam com deficiência de corpo docente e de campos de estágio no SUS preparados para a função educacional. A segunda é a da residência médica. No Brasil, 45% dos médicos não cursaram essa etapa, que em alguns países é obrigatória para quem quer exercer atividade clínica. A causa desse fenômeno é multifatorial e inclui falta de vagas em programas mais desejados, desinteresse por conta da não valorização do mercado de trabalho quanto à formação do médico e, para quase 20% dos egressos, a necessidade de adentrar no mercado de trabalho ao término da graduação para pagar o financiamento de seus cursos. Programas de residência…



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