Caderno Viva – ‘Não passe o dia sentado comendo tudo que te oferecem’, alerta Drauzio Varella
Hoje, o cenário é de doenças crônicas, que Drauzio classifica como as verdadeiras “epidemias” da atualidade: diabetes e hipertensão. Diferente das infecções do passado, essas condições exigem um acompanhamento contínuo que o modelo de “médico isolado” em um consultório não consegue suprir com eficiência. “Dados mostram que apenas 12% dos hipertensos mantêm a pressão controlada após um ano de tratamento”, aponta o médico.
De acordo com a pesquisa Vigitel 2025, o número de adultos brasileiros com diabetes saltou 135% entre 2006 e 2024, elevando a taxa de 5,5% para 12,9%. O levantamento, que monitora os fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), também apontou um crescimento expressivo em outras condições no mesmo período: a obesidade cresceu 118%, o excesso de peso subiu 47% e a hipertensão avançou 31%.
Mais de 56% da população brasileira está acima do peso, e o sedentarismo projeta matar tanto quanto o cigarro no século XXI. A mensagem central de saúde pública mudou de “ferva a água” para “não passe o dia sentado comendo tudo o que te oferecem.”
Para Drauzio, o Sistema Único de Saúde (SUS) deve ser compreendido como um verdadeiro patrimônio nacional, estruturado com uma racionalidade e estratégia que muitos países de primeiro mundo não conseguem sustentar devido aos altos custos.
Varella aponta que, apesar das dificuldades e do subfinanciamento — o famoso “cobertor curto” —, o Brasil possui um sistema de acesso universal que é referência global.
O Brasil possui um sistema de acesso à saúde para a população em geral que não existe em países de primeiro mundo, onde o custo da assistência é muito elevado.”
Ele reforça que a estrutura, dividida em atenção primária (portas de entrada como UBS e UPAs), secundária (especializada) e terciária (alta complexidade), foi pensada para…