Na manhã do terceiro e último dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral da AMB, a palestra “Cardiologia da mulher – climatério, com os riscos para a mulher menopausada” discutiu os impactos cardiovasculares e metabólicos da menopausa, além dos critérios para avaliação de risco e indicação de terapia hormonal. A atividade foi coordenada pela Dra. Ariane Macedo, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretora científica do Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Ao abrir a sessão, Ariane Macedo destacou a relevância do tema para a prática médica. “Este é um assunto que nos preocupa e nos motiva a estudar cada vez mais. A saúde cardiovascular da mulher exige atenção em todas as fases da vida, especialmente nos momentos de transição hormonal”, afirmou.
A primeira apresentação foi conduzida pelo Dr. Antonio Carlos Palandri Chagas, professor titular de Cardiologia da Faculdade de Medicina do ABC. Em sua fala, o especialista ressaltou que as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte entre mulheres e exigem olhar específico. “A cardiologia da mulher não é uma subespecialidade de nicho. Ela representa uma evolução necessária da ciência cardiovascular, porque a mulher tem fatores de risco próprios, apresentações clínicas diferentes e precisa ser acompanhada de forma específica”, afirmou.
Na sequência, a Dra. Maria Cristina Izar, professora adjunta e livre-docente da Unifesp, falou sobre risco metabólico e cardiovascular no climatério. A especialista destacou que a perda da proteção estrogênica favorece ganho de peso, resistência à insulina, hipertensão, dislipidemia e aumento do risco cardiometabólico. “Na perimenopausa, a mulher perde parte da proteção hormonal e passa a acumular fatores de risco que muitas vezes não são valorizados. Precisamos perguntar, investigar e estratificar melhor…