
Empurrões no transporte público, discussões acaloradas no trânsito, interrupções constantes no ambiente de trabalho… A frequência com que presenciamos a falta de educação no cotidiano levanta um questionamento crucial: o que está impulsionando essa crescente onda de grosseria?
A falta de educação vai além de uma questão moral ou estética — trata-se também de um problema psicológico e social. A neuropsicóloga Maianna Debur lança luz sobre o ciclo nocivo da grosseria, alertando que a falta de cortesia enfraquece os vínculos sociais e aumenta o estresse e a ansiedade, afetando principalmente pela consequência da falta de boas maneiras, como o isolamento social e maiores conflitos, o que inevitavelmente gera sofrimento emocional.

Para a especialista, o comportamento rude muitas vezes transcende a mera falta de etiqueta, sendo um reflexo de questões emocionais mais profundas. “A grosseria muitas vezes é o sintoma de algo. Pensando em uma criança, pode ser a forma que encontrou de lidar com algo emocional que está incomodando, por exemplo, chamar a atenção dos pais”, explica.
A especialista também enfatiza o papel do ambiente digital nesse cenário. “A internet traz a falsa sensação de estar numa bolha, de que nada vai acontecer e você pode tudo. Muitos vão utilizar para ‘descontar’ suas frustrações, para se encontrar em grupos que se apoiem dentro de uma ideia”, comenta.
Essa ilusão de anonimato e impunidade no mundo virtual pode facilitar atitudes hostis e dificultar a tolerância à diversidade de opiniões. “No on-line, se alguém discorda de mim, eu posso excluir, bloquear, porém na vida real eu preciso lidar com o diferente e as pessoas querem transformar a realidade na sua bolha digital”, ressalta.
Outro fator relevante apontado por Maianna Debur é a dinâmica familiar contemporânea. Ela…







