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terça-feira, outubro 20, 2026
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A violência contra mulher e mecanismos de proteção

A violência contra mulher e mecanismos de proteção

Violência contra mulher
(Foto: Pixabay)

Os crescentes números da violência contra a mulher não são novidade, são diárias as notícias sobre agressões contra mulheres nos mais variados níveis. No entanto, a divulgação e orientação quanto aos meios de proteção não têm alcancesatisfatório, ou seja, muitas mulheres são mantidas em situações de violência grave por não saberem a quem recorrer e onde procurar auxílio seguro.

​Recentemente foram divulgados novos números pela quarta edição da pesquisa Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil, realizada pelo DataFolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, nos quais se pode verificar o seguinte:

• 35 mulheres foram agredidas física ou verbalmente por minuto no Brasil em 2022.
• 28,9% (18,6 milhões) das mulheres relataram ter sido vítima de algum tipo de violência ou agressão, o maior percentual da série histórica do levantamento.
• 14 mulheres foram agredidas com tapas, socos ou chutes por minuto.
• Quase 6 milhões sofreram ofensas sexuais ou tentativas forçadas de manter relações sexuais.
• Quase 51 mil mulheres sofreram violência diariamente em 2022, o que equivale a um estádio de futebol lotado.
• 4 vezes é o número em média de agressões sofridas no período. Entre as mulheres divorciadas, a média é de 9 agressões.

E, por fim:

• 45% das mulheres vítimas de violência não fizeram nada após sofrer o episódio mais grave.

​Este último dado comprova que é de extrema urgência a divulgação mais efetiva e clara sobre os meios de proteção em casos de violência contra a mulher. Isto porque, para que mulheres sintam segurança para procurar ajuda em casos de violência, é preciso conhecimento sobre tais meios de proteção, sobre a forma de funcionamento e, principalmente, sobre a sua eficácia. A procura por auxílio deve ser direcionada aos órgãos indicados e preparados para tanto.

​A mulher em situação de violência sente vergonha e medo, sentimentos que a levam ao isolamento e a omissão sobre o seu sofrimento. Isso se deve, principalmente, pelo fato de que muitas mulheres ao procurar ajuda sofrem com a revitimização por parte de autoridades despreparadas ou mesmo pelas ameaças do agressor que as faz acreditar que a procura por ajuda não será eficaz.

​É importante, portanto, que todos se coloquem em alerta quanto à violência contra a mulher, que acolham e levem informação.

​Abaixo algumas instituições que podem acolher e orientar para quais atitudes tomar e as ações mais indicadas no caso de violência contra a mulher. Há serviços de acolhimento e orientação, bem como de abrigo em locais seguros em casos mais graves, e ainda, serviços online pelos quais não é necessário nenhum tipo de exposição.

– Casa da Mulher Brasileira: Presta serviços integrais e humanizados para mulheres em situação de violência. Possui alojamento de acolhimento provisório para os casos de iminência de morte. Atende 24 horas por dia.

​Atualmente, estão em fncionamento as Casas da Mulher Brasileira em Curitiba/PR, Campo Grande/MS, São Luís/MA, Fortaleza/CE, São Paulo/SP e Boa Vista/RR.

– Delegacia eletrônica: Registre boletim de ocorrência de forma rápida e segura, sem necessidade de comparecimento em uma delegacia.

– Alguns telefones para solicitar auxílio de emergência em casos de violência:

• Disque Direitos Humanos – disque 100: Serviço disponibilizado peloMinistério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o qual recebe, analisa e encaminha aos órgãos de proteção e responsabilização as denúncias de violações de direitos de mulheres, crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, população LGBT, população em situação de rua, entre outros.

O serviço funciona diariamente, 24 horas, por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. As ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem direta e gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel, bastando discar 100.

• Central de atendimento à mulher – disque 180: Esse serviço ouve e acolhe a mulher em situação de violência, por meio de registro e encaminhamento aos órgãos competentes de denúncias da ocorrência de violência contra a mulher, reclamações, além de sugestões e elogios sobre os serviços de atendimento.

O serviço também oferece informações sobre os direitos da mulher, indica locais de atendimento mais próximos e apropriados a cada caso;

A ligação é gratuita e está disponível 24 horas todos os dias da semana, basta discar o número 180. O serviço está disponível em todo o país e pode ser acessado em outros países também.

• Polícia Militar – disque 190: Número que liga para a Polícia Militar e que deve ser acionado em casos de necessidade imediata ou socorro rápido. O 190 recebe ligações de forma gratuita em todo o território naciona.

​O apoio e a orientação correta podem evitar a escalada da violência contra a mulher e proporcionar, portanto, mais segurança no processo de defesa de mulheres nessa situação.

* Viviane Teles de Magalhães Araújo é advogada graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC/GO, com atuação no mercado corporativo nas áreas cível e trabalhista; Doutoranda em Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP; Mestra em Direito (Direitos Fundamentais Coletivos e Difusos) pela Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP – Piracicaba/SP; Especialista em Direitos Humanos e Questão Social pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná;  MBA em Direito Empresarial pela FGV – Fundação Getúlio Vargas – Campinas/SP; Especialista em Direito e Processo do Trabalho pela Universidade Presbiteriana Mackenzie – Campinas/SP (2008/2010). Autora do livro “Mulheres – Iguais na Diferença” (ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris 2018) e do artigo “A igualdade de direitos entre os gêneros e os limites impostos pelo mercado de trabalho à ascensão profissional das mulheres. (25 ed.Florianópolis: CONPEDI, 2016, v. , p. 327-342).

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