
O câncer de mama está entre os principais desafios da saúde feminina, e a informação é uma das ferramentas mais importantes para identificar riscos e buscar atendimento no momento adequado. Durante o Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre a doença, o debate sobre prevenção também passa pelo conhecimento da genética, pelo acompanhamento médico e pela atenção aos sinais do corpo.
Leia também – Genética não é tudo: fatores de risco do câncer de mama
Um levantamento da Genera, empresa de genômica pessoal, identificou que 5.109 das 24.682 pessoas avaliadas na região Sudeste foram classificadas na faixa de alto risco genético para câncer de mama. O número representa aproximadamente 20,7% da amostra. O resultado, porém, não significa que essas pessoas desenvolverão a doença, mas indica uma predisposição que deve ser interpretada considerando outros fatores de risco e a avaliação de profissionais de saúde.
A idade também não deve ser o único critério para procurar atendimento. Embora o rastreamento siga recomendações específicas, alterações percebidas nas mamas precisam ser investigadas independentemente da faixa etária.
“Uma mulher de 30 ou 35 anos que percebe um nódulo não deve esperar completar 40 ou 50 anos para procurar atendimento. Nesse caso, não estamos falando de rastreamento, mas de investigação de uma alteração que já existe”, explica Deborah Monteiro, radiologista e especialista em oncoginecologia do Alta Diagnósticos, no Rio de Janeiro.
5 sinais nas mamas que merecem atenção
Algumas alterações precisam ser avaliadas por um profissional de saúde, mesmo quando aparecem em mulheres jovens. Entre os sinais que merecem atenção estão:
-
Nódulo na mama ou na axila: caroço novo, persistente ou com características diferentes dos habituais.
-
Alterações na pele: vermelhidão persistente, espessamento ou aspecto semelhante à casca de uma laranja.
-
Mudanças no mamilo: retração recente ou alteração no formato.
-
Secreção pelo mamilo: especialmente quando espontânea ou com presença de sangue.
-
Mudanças no formato ou tamanho da mama: assimetria recente, inchaço ou alteração que não fazia parte do padrão habitual.
A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, pois alterações benignas também podem provocar sintomas semelhantes. No entanto, é importante buscar avaliação médica para investigar a causa, sem esperar pela idade recomendada para o rastreamento de rotina.
Genética ajuda a avaliar fatores de risco
Além da idade, do histórico pessoal e familiar e de outros fatores, determinadas alterações genéticas podem aumentar a predisposição ao câncer de mama. Entre as mais conhecidas estão as mutações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2, associadas também ao risco de câncer de ovário.
Em 2026, o Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) o sequenciamento de nova geração (NGS) para identificar mutações nesses genes em mulheres com câncer de mama. A decisão foi documentada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), por meio do Relatório para a Sociedade com Decisão Final nº 595.
Para Gustavo Guida, geneticista da Dasa Genômica e do laboratório Sérgio Franco, no Rio de Janeiro, a avaliação deve considerar o conjunto de informações clínicas de cada paciente. “Quando o câncer de mama aparece em uma idade jovem, é importante avaliar se existe um componente hereditário. Mas não é a idade isoladamente que define a indicação do teste. É preciso olhar para a história pessoal, familiar e, quando existe o diagnóstico, também para as características do tumor”, afirma.
A indicação de testes genéticos depende de avaliação profissional. Os resultados podem contribuir para identificar determinadas predisposições, mas precisam ser interpretados com cuidado: apresentar uma variante associada ao risco não significa necessariamente desenvolver câncer, assim como não identificar as alterações pesquisadas não elimina a possibilidade da doença.
O que os dados genéticos revelam sobre o Sudeste?
Dados da Genera mostram que 5.109 das 24.682 pessoas avaliadas na região Sudeste foram classificadas na faixa de alto risco genético para câncer de mama, o equivalente a aproximadamente 20,7% da amostra.
O percentual se refere exclusivamente às pessoas analisadas pela empresa e não deve ser interpretado como uma estimativa do risco de toda a população da região.
A marca também já divulgou dados sobre predisposições genéticas relacionadas a condições como endometriose, síndrome dos ovários policísticos, miomas uterinos e diabetes gestacional. Esses resultados igualmente se referem à base analisada e não equivalem à prevalência dessas condições na população brasileira.
A importância do acompanhamento médico
Os testes genéticos podem contribuir para uma avaliação mais individualizada, mas não substituem a mamografia, a consulta médica ou outros exames indicados conforme a idade, o histórico familiar e a avaliação clínica.
Durante o Outubro Rosa, a principal orientação é não ignorar mudanças no corpo, conhecer o histórico de saúde da família e buscar atendimento diante de alterações suspeitas. “O rastreamento e a investigação diagnóstica têm objetivos diferentes, e a avaliação médica ajuda a determinar os cuidados adequados para cada situação”, finaliza Ricardo Di Lazzaro, médico doutor em genética e fundador da Genera, marca da Dasa.
*Informações Assessoria de Imprensa









