Erros no uso da lente de contato podem custar caro à visão

lente de contato
(Foto: Magnifc)

Outubro é o Mês da Segurança das Lentes de Contato, período dedicado a reforçar os cuidados necessários para que esse recurso, tão associado à praticidade, liberdade e versatilidade, seja utilizado de forma saudável. As lentes podem facilitar a composição de diferentes looks, deixar a aparência mais clean, valorizar a expressão facial, evitar as marcas da armação no nariz e até favorecer a estética nas fotografias. Para que essas vantagens não sejam acompanhadas de riscos, entretanto, é fundamental manter uma conduta adequada desde a escolha até o descarte das lentes.

Leia também – Saiba se as lentes com proteção para luz azul das telas são uma boa opção

O oftalmologista Rodrigo Carvalho explica que, embora sejam alternativas muito seguras quando corretamente indicadas e utilizadas, as lentes ficam em contato direto com uma estrutura extremamente delicada. “Lente de contato não deve ser encarada simplesmente como um produto que se compra e coloca nos olhos. Trata-se de um dispositivo que exige indicação, adaptação e acompanhamento adequados”, enfatiza.

Intolerância progressiva

Entre os problemas relacionados ao uso inadequado estão irritação, vermelhidão, ressecamento e pequenas lesões na superfície ocular. Em situações mais graves, pode ocorrer ceratite, uma inflamação da córnea que, em alguns casos, é provocada por microrganismos e pode evoluir para uma úlcera. Infecções mais severas podem deixar cicatrizes, comprometer permanentemente a visão e, em situações extremas, exigir procedimentos cirúrgicos. Conjuntivites, reações alérgicas, intolerância progressiva às lentes e alterações relacionadas à redução da oxigenação da córnea também podem ocorrer.

Um dos pontos que merecem destaque é que os erros mais comuns nem sempre parecem graves no dia a dia. Dormir com as lentes sem indicação específica, ultrapassar o período recomendado para troca, manuseá-las sem lavar e secar corretamente as mãos e insistir no uso diante de desconforto, vermelhidão ou alteração da visão estão entre os hábitos que podem trazer problemas. “Pequenos hábitos podem transformar algo simples e seguro em um problema potencialmente sério”, ressalta o médico.

Água e lentes de contato não combinam

Tomar banho, nadar ou entrar no mar com lentes de contato também está entre as práticas que devem ser evitadas. Água de torneira, piscina, mar, rios e lagos pode conter microrganismos capazes de provocar infecções. Entre eles está a Acanthamoeba, associada a uma infecção rara, mas potencialmente grave, chamada ceratite por Acanthamoeba.

“Água não é solução para lentes de contato”, esclarece Rodrigo. Ele também alerta que a saliva jamais deve ser utilizada para umedecer ou limpar as lentes. Nas lentes reutilizáveis, a higienização deve seguir o sistema recomendado pelo oftalmologista e as orientações da solução apropriada. O estojo também precisa ser mantido limpo e seco e substituído periodicamente.

Dormir com as lentes é outro hábito que merece cuidado. Durante o sono, a córnea já recebe menos oxigênio, e a presença da lente pode favorecer alterações da superfície ocular e infecções. Por isso, salvo situações específicas orientadas pelo oftalmologista, a recomendação é retirar as lentes antes de dormir.

Não existe um tipo de lente que seja melhor para todas as pessoas. Gelatinosas, rígidas, descartáveis de uso diário e modelos de troca quinzenal ou mensal apresentam características e cuidados diferentes. As lentes gelatinosas, por exemplo, são confortáveis e amplamente utilizadas, mas exigem rigor na higiene e no período de substituição. Já as descartáveis de uso diário são aplicadas uma única vez e descartadas, reduzindo problemas relacionados ao armazenamento, ao estojo e ao acúmulo de depósitos.

Nas lentes quinzenais ou mensais, Rodrigo salienta que o prazo de substituição começa a contar a partir da abertura e utilização da lente, e não apenas pela quantidade de dias em que ela foi efetivamente usada. Já as rígidas gás-permeáveis podem ser indicadas para determinadas condições, como irregularidades da córnea e ceratocone, e exigem adaptação individualizada.

Não se pode ignorar

Dor ocular, vermelhidão importante, sensibilidade excessiva à luz, secreção, visão embaçada ou redução da visão são sinais para retirar imediatamente as lentes e procurar avaliação oftalmológica. A sensação persistente de corpo estranho ou um desconforto diferente do habitual merece investigação.

O especialista orienta ainda evitar a automedicação, especialmente com colírios que contenham corticoides. Em determinadas infecções, o uso inadequado desses medicamentos pode mascarar os sintomas e agravar o quadro.

Para muitos usuários, uma avaliação pelo menos anual com o oftalmologista é uma referência razoável, mas a frequência deve ser individualizada. Pessoas com doenças da superfície ocular, alterações corneanas, uso mais intenso das lentes ou outros fatores de risco podem precisar de consultas mais frequentes.

*Informações Assessoria de Imprensa