
Uma pesquisa conduzida pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA) em parceria com o Instituto Locomotiva em 2026 revelou que, apesar do aumento no acesso à informação, 61% das brasileiras não realizaram o exame Papanicolau no último ano, e 34% não se consideram parte do grupo de risco para o câncer de colo do útero. Às vésperas do Setembro em Flor, mês de conscientização sobre os cânceres ginecológicos, os novos dados acendem um alerta sobre a saúde da mulher no Brasil.
A segunda onda da pesquisa “Percepção das Brasileiras sobre Tumores Ginecológicos e Práticas de Prevenção” ouviu 800 mulheres, de 18 a 45 anos, das classes A, B, C e D de todas as regiões do Brasil. O objetivo foi mapear a evolução do nível de conhecimento sobre o câncer de colo do útero e a adesão às práticas preventivas, com foco na vacinação e métodos de rastreio.
A pesquisa mostrou que as barreiras para a prevenção vão desde o desconhecimento sobre os exames até percepções equivocadas sobre imunização. Por exemplo, 26% das mulheres de 18 a 45 anos desconhecem a utilidade do Papanicolau. Quando o assunto é a vacinação, 4 em cada 10 mulheres (39%) não tomaram ou não se lembram de ter se imunizado contra o HPV. Entre as que não se vacinaram contra esse vírus, o principal motivo apontado é a falsa impressão de que a vacinação não é indicada para a sua idade, reforçando a necessidade de desmistificar o tema na fase adulta.
O dado contrasta com o nível de conhecimento declarado pelas mulheres sobre a prevenção: 44% delas afirmam conhecer muito bem a vacinação contra o HPV, um salto em relação aos 38% registrados na pesquisa do ano anterior.
“A pesquisa mostrou que o acesso à informação melhorou, mas ainda há uma distância entre reconhecer a importância da prevenção e a realização efetiva da prevenção por meio da vacinação contra o HPV e da realização dos exames. Precisamos que as mulheres entendam a importância dessa relação de alguns tipos de câncer com o HPV e como o check-up anual, com exames como o Papanicolau e o teste do DNA do HPV, são mecanismos fundamentais na proteção contra o câncer de colo do útero”, explica Andréa Gadelha, presidente do Grupo EVA.
O comportamento das brasileiras em relação à ida ao consultório e à imunização também foi analisado. Os dados mostram um número baixo de mulheres que realizaram exames ginecológicos de rotina, como o Papanicolau (39%) e o teste de DNA-HPV (22%), no último ano. Em 2025, este número era ainda mais preocupante, com 37% das entrevistadas declarando ter feito o Papanicolau, e apenas 13% o teste de DNA-HPV.
A Dra. Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD Brasil, reforça a importância da prevenção: “um futuro sem o câncer de colo do útero é possível por meio da vacinação contra o HPV, da realização de exames de rotina e do tratamento das lesões pré-cancerosas. Eliminar o câncer de colo do útero é algo que está ao nosso alcance”.
O câncer de colo do útero no Brasil
Os resultados chegam em um momento importante. Segundo projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar mais de 19 mil novos casos de câncer de colo do útero por ano entre 2026 e 2028. O número representa um aumento de aproximadamente 14% na incidência da doença em comparação ao triênio anterior. O câncer de colo do útero mata cerca de 20 mulheres todos os dias no Brasil. É o tipo de câncer que mais mata mulheres com até 35 anos no país, e o segundo mais letal entre aquelas com até 60 anos. O HPV é responsável por 99% dos casos.
Setembro em Flor: Mês para florescer informação
Criada pelo Grupo EVA em 2021, a campanha Setembro em Flor alerta sobre os cinco principais tipos de tumores ginecológicos: colo do útero, corpo do útero (endométrio), ovário, vulva e vagina. O movimento busca combater a desinformação, promover o cuidado integral da saúde da mulher e engajar a sociedade civil e o poder público.
*Informações Assessoria de Imprensa










