
As férias escolares são sinônimo de diversão, viagens e muito tempo dedicado às brincadeiras. No entanto, o período também costuma ser marcado pelo aumento dos acidentes envolvendo crianças. A combinação entre mudanças na rotina, maior tempo dedicado às atividades recreativas, prática de esportes, exploração de novos ambientes e, muitas vezes, menor supervisão dos adultos contribui para o crescimento desses casos nos serviços de urgência e emergência.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico (SBTO), Dr. Luiz Henrique Penteado, o aumento dos casos está relacionado à maior exposição das crianças a atividades que envolvem velocidade, altura e impacto.
“Durante as férias, as crianças passam mais tempo brincando, experimentam novas atividades e permanecem por mais horas em parques, condomínios, clubes e áreas externas. Isso aumenta naturalmente a exposição a situações de risco. O problema não está na brincadeira, mas na ausência de medidas de segurança, como o uso de equipamentos de proteção, a escolha de locais adequados e a supervisão de um adulto”, explica.
Entre as lesões mais frequentes estão as fraturas de punho, antebraço, clavícula e cotovelo, geralmente provocadas por quedas de bicicleta, skate ou patinete. Entorses de tornozelo e joelho, luxações e contusões também fazem parte dos atendimentos mais comuns nessa época do ano.
“O uso de capacete, joelheiras, cotoveleiras e munhequeiras faz toda a diferença. Esses equipamentos não eliminam completamente o risco de acidentes, mas reduzem o impacto das quedas e diminuem significativamente a gravidade das lesões. Da mesma forma, verificar as condições dos brinquedos, respeitar a faixa etária recomendada e incentivar brincadeiras em locais seguros são atitudes fundamentais para prevenir acidentes”, destaca o médico.
O especialista também chama atenção para o uso de camas elásticas. O risco aumenta quando várias crianças utilizam o equipamento ao mesmo tempo ou quando ele não possui rede de proteção adequada. Nos playgrounds, a orientação é observar se os brinquedos estão em boas condições de conservação e se o piso é apropriado para amortecer possíveis quedas.
Dentro de casa, os riscos também merecem atenção. Escadas sem proteção, pisos molhados, móveis instáveis, janelas sem telas de segurança, tapetes escorregadios e brinquedos espalhados pelo chão aumentam as chances de acidentes, principalmente entre crianças menores, que passam mais tempo explorando os ambientes durante as férias.
O que fazer em caso de acidente?
Em caso de queda e o relato de dor intensa, apresentação de deformidade, inchaço importante ou dificuldade para movimentar um braço ou uma perna, a recomendação é procurar atendimento médico e evitar manipular o membro lesionado. ‘Muitas vezes, a criança consegue continuar brincando logo após o acidente, mas isso não significa que a lesão seja leve. Algumas fraturas podem apresentar poucos sinais nas primeiras horas. Por isso, sempre que houver suspeita de lesão, o ideal é buscar avaliação médica para que o diagnóstico e o tratamento sejam realizados precocemente”, orienta Penteado.
O presidente da SBTO reforça que a prevenção continua sendo a principal aliada das famílias durante o período de férias. “As férias devem ser um período de boas lembranças. Com medidas simples, como supervisão constante, uso de equipamentos de proteção e atenção ao ambiente onde a criança brinca, é possível reduzir significativamente o número de acidentes e garantir um recesso muito mais seguro para toda a família”, conclui.
*Informações Assessoria de Imprensa




