Primeira consulta ginecológica: orientação precoce contribui para a saúde e o bem-estar das adolescentes

consulta ginecológica
(Foto: stefamerpik/Freepik)

A primeira consulta com o ginecologista ainda é cercada por dúvidas e, muitas vezes, acaba sendo adiada por pais e responsáveis. No entanto, o acompanhamento ginecológico deve fazer parte dos cuidados com a saúde das adolescentes desde os primeiros sinais da puberdade ou após a primeira menstruação, mesmo que não exista qualquer queixa. Além de identificar precocemente possíveis alterações, a consulta é um importante momento de acolhimento, orientação e educação em saúde.

Veja também – Perimenopausa pode durar anos; entenda mais sobre a transição

Ao contrário do que muitos imaginam, a primeira consulta ginecológica não está necessariamente relacionada ao início da vida sexual. Na maioria dos casos, o encontro é uma conversa para conhecer a adolescente, esclarecer dúvidas e orientar sobre as mudanças naturais do corpo durante a puberdade.

Segundo a ginecologista Loreta Canivilo, o momento ideal para a primeira avaliação costuma ocorrer entre os 9 e 15 anos, preferencialmente após a primeira menstruação (menarca) ou sempre que surgirem alterações no desenvolvimento, dores intensas, irregularidades menstruais ou outras queixas ginecológicas.

“A primeira consulta é um espaço de acolhimento e informação. Muitas adolescentes chegam inseguras, com dúvidas sobre as mudanças do corpo e sobre a menstruação. O objetivo é oferecer orientação, promover hábitos saudáveis e criar um vínculo de confiança para que elas saibam que têm um profissional de referência para cuidar da saúde ginecológica ao longo da vida”, afirma a ginecologista Loreta.

Outro ponto importante é desmistificar a consulta. Em geral, o primeiro atendimento consiste em uma conversa detalhada sobre o histórico de saúde, desenvolvimento puberal, ciclo menstrual, vacinação, hábitos de vida e histórico familiar. O exame ginecológico só é realizado quando existe indicação clínica e sempre de forma respeitosa, explicando cada etapa à paciente e com seu consentimento.

Entre os temas mais abordados durante a primeira consulta estão:

  • Funcionamento do ciclo menstrual;
  • Cólicas menstruais e quando elas merecem investigação;
  • Irregularidade da menstruação;
  • Higiene íntima adequada;
  • Alterações hormonais durante a puberdade;
  • Corrimentos vaginais e quando são considerados normais;
  • Vacinação contra o HPV;
  • Prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs);
  • Métodos contraceptivos, quando pertinente;
  • Sexualidade, mudanças emocionais e autoestima.

Além dessas orientações, a consulta representa uma oportunidade para identificar condições como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), endometriose em adolescentes, alterações hormonais, puberdade precoce ou tardia e outros problemas que, quando diagnosticados precocemente, podem receber tratamento mais eficaz.

Para as famílias, o momento também exige diálogo e acolhimento. É de extrema importância que os pais e responsáveis incentivem a adolescente a participar da consulta de forma tranquila, respeitando sua privacidade e autonomia. Em muitos atendimentos, parte da consulta acontece apenas entre a médica e a paciente, permitindo que a jovem se sinta mais confortável para fazer perguntas e abordar assuntos íntimos.

“É importante que a adolescente compreenda que o ginecologista não é um médico que deve ser procurado apenas quando há problemas ou quando inicia a vida sexual. O acompanhamento periódico faz parte da promoção da saúde, da prevenção de doenças e do desenvolvimento saudável em todas as fases da vida”, destaca Canivilo.

Entre as dúvidas mais frequentes levadas ao consultório estão questões sobre a idade considerada normal para menstruar, intensidade das cólicas, irregularidade do ciclo nos primeiros anos após a menarca, uso de absorventes internos e coletores menstruais, corrimentos, alterações nas mamas, acne relacionada aos hormônios, vacinação contra o HPV e dúvidas sobre sexualidade.

A primeira consulta não deve ser encarada apenas como uma avaliação clínica, mas como um investimento em educação em saúde. Criar esse vínculo desde cedo favorece o acompanhamento preventivo, reduz medos e tabus e estimula que as adolescentes procurem atendimento sempre que necessário.

*Informações Assessoria de Imprensa