
Uma casquinha que insiste em voltar, uma ferida que não cicatriza ou uma aspereza que parece só ressecamento podem esconder mais do que uma irritação passageira. Em muitos casos, esses sinais discretos estão entre as primeiras manifestações dos cânceres de pele não melanoma, grupo que inclui o carcinoma basocelular e o espinocelular e que costuma passar despercebido justamente por não começar de forma alarmante.
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Ao contrário do melanoma, que costuma concentrar mais atenção por ser o tipo mais agressivo, os tumores de pele não melanoma podem evoluir de maneira silenciosa e ainda assim causar danos importantes quando o diagnóstico demora. Eles podem crescer localmente, comprometer tecidos vizinhos e exigir procedimentos mais extensos, especialmente quando surgem em áreas expostas como rosto, couro cabeludo, orelhas e mãos.
Para o dermatologista Matheus Rocha, o erro mais comum é achar que só lesões muito escuras ou com aparência mais agressiva merecem preocupação. “Muita gente não relaciona câncer de pele a uma ferida que não cicatriza, a uma crosta recorrente ou a uma área áspera que sangra de vez em quando. Como essas lesões nem sempre doem no começo, é comum que a pessoa observe por semanas ou meses antes de procurar ajuda”, afirma.
Segundo o especialista, essa demora faz diferença. “O câncer de pele não melanoma costuma ter bom prognóstico quando identificado cedo, mas isso não significa que possa ser tratado como algo banal. Quando cresce sem diagnóstico, ele pode invadir estruturas locais e tornar o tratamento mais complexo”, diz.
Sinais que merecem atenção
Entre os sinais que mais passam despercebidos estão:
- Feridas que não cicatrizam.
- Lesões que descamam ou formam crostas repetidas.
- Pontos que sangram com facilidade.
- Áreas ásperas, brilhantes ou avermelhadas que persistem.
- Manchas ou pintas que mudam de forma, cor ou tamanho.
Rocha explica que essas alterações costumam aparecer em regiões que acumulam exposição solar ao longo da vida, como nariz, orelhas, bochechas, couro cabeludo, antebraços e dorso das mãos. “São áreas que recebem sol com frequência e, por isso, concentram dano cumulativo. Muitas vezes, quando a lesão aparece, ela já é o reflexo de anos de exposição sem proteção adequada”, afirma.
Por que o diagnóstico atrasa
Parte do atraso no diagnóstico vem de uma associação muito forte entre câncer de pele e melanoma. Isso faz com que outras lesões sejam vistas como menores ou menos urgentes. Para Rocha, essa diferença de percepção é um problema. “O carcinoma basocelular tem baixa chance de metástase, mas isso não quer dizer que seja inofensivo. Ele pode destruir tecido local, comprometer áreas delicadas e causar impacto importante na qualidade de vida”, diz.
O mesmo vale para o carcinoma espinocelular, que pode ter comportamento mais invasivo em alguns casos. Quando o diagnóstico é feito cedo, o tratamento costuma ser mais simples e com melhores resultados estéticos e funcionais.
Quando procurar um dermatologista
A orientação é buscar avaliação médica sempre que uma lesão:
- Não cicatriza.
- Volta a formar crosta.
- Sangra repetidamente.
- Muda de aspecto.
- Surge em área exposta ao sol e persiste por semanas.
“O ideal é não esperar dor, crescimento rápido ou piora evidente. Em muitos casos, o principal sinal de alerta é justamente a persistência da lesão”, resume Rocha.
Como é o tratamento
Na maior parte dos casos, o diagnóstico começa com avaliação clínica e pode ser complementado por dermatoscopia e biópsia. O tratamento costuma ser cirúrgico, com retirada da lesão e análise do material removido. Dependendo do tipo, da localização e da extensão do tumor, outras abordagens também podem ser indicadas.
Para o dermatologista, a principal mensagem é simples: o câncer de pele nem sempre começa com uma imagem assustadora. “Às vezes, ele aparece como algo pequeno, discreto e fácil de ignorar. É justamente por isso que tanta gente demora a procurar avaliação”, afirma.
*Informações Assessoria de Imprensa











