
Muitas vezes minimizada no senso comum como um problema respiratório corriqueiro, a asma é, na verdade, uma doença inflamatória crônica grave das vias aéreas. No Brasil, o cenário é preocupante: embora existam tratamentos eficazes, apenas 12,3% dos pacientes mantêm o controle total da enfermidade[2]. O resultado dessa negligência reflete-se nos números: a doença é uma das principais causas de hospitalização no SUS, com cerca de 350 mil internações anuais e centenas de mortes que poderiam ser evitadas com informação e adesão ao tratamento para o controle adequado da doença[3].
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O que é a asma e como ela age?
A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns[4]. “Ela ocorre quando os brônquios (canais que levam o ar aos pulmões) inflamam. Diante de gatilhos como poeira, poluição ou mudanças climáticas, os músculos ao redor dessas vias se contraem e a parede interna incha, produzindo muco excessivo”, alerta a pneumologista Leda Rabelo, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Esse processo cria uma barreira física à passagem do oxigênio. É por isso que os sintomas típicos incluem chiado no peito, falta de ar (dispneia) e respiração curta, sensação de aperto no peito e tosse persistente. A asma pode ser classificada de acordo com a gravidade – leve, moderada ou grave[5].
Os riscos do falso controle
Um dos maiores riscos para o paciente é acreditar que a doença “desapareceu” entre uma crise e outra. “A asma não é um evento isolado de falta de ar, é uma inflamação que está lá mesmo quando o paciente se sente bem. Acreditar que é ‘só uma asma leve’ é perigoso, pois sintomas leves negligenciados podem evoluir rapidamente para uma crise fatal”, diz a especialista.
A diferença entre o controle e o agravamento está na adesão ao tratamento. De acordo com a diretriz global GINA 2025, o uso de corticosteroides inalatórios é o pilar para manter as vias aéreas desinflamadas[6]. “Quando o paciente utiliza apenas o medicamento de “resgate” (para alívio imediato da falta de ar) e ignora a medicação de manutenção, ele permite que a inflamação progrida, aumentando o risco de sequelas pulmonares e hospitalizações”, declara a pneumologista.
Mitos e verdades: o perigo da desinformação
A baixa adesão ao tratamento é alimentada por crenças equivocadas. É comum, por exemplo, a confusão entre asma e bronquite[7]. “Asma não é bronquite. Enquanto a bronquite pode ser pontual e infecciosa, a asma é uma condição crônica que requer gestão a longo prazo”, explica ??, que trouxe outros mitos para serem esclarecidos:
O medicamento não vicia e nem faz mal para o coração. O tratamento baseado em corticosteroides inalatórios e broncodilatadores é seguro. “O verdadeiro perigo é o uso excessivo de “bombinhas” com medicações de resgate (alívio imediato) sem o tratamento adequado com o uso das medicações de manutenção”, afirma Leda Rabelo.
Apenas o raio-x não descarta a asma. “O diagnóstico padrão-ouro envolve a avaliação clínica e a espirometria, exame que mede a função pulmonar”, declara a especialista.
A asma não é só uma falta de ar que aparece de vez em quando. A asma é uma doença crônica e o tratamento deve ser contínuo para evitar que a crise aconteça[8]. “Parar a medicação na ausência de sintomas é o principal erro que leva às crises e ao agravamento da doença”, diz a médica.
Novas tecnologias para mais qualidade de vida
Uma das inovações no tratamento da asma moderada a grave é a terapia tripla em um único dispositivo inalatório. “Ao combinar três medicamentos com funções diferentes (dois broncodilatadores e um corticoide inalatório), a tecnologia simplifica o regime terapêutico, podendo favorecer a adesão ao tratamento. Ao reduzir a complexidade do uso de várias bombinhas no dia a dia, garantimos mais autonomia, minimizamos erros no uso e proporcionamos uma qualidade de vida muito superior, permitindo que o paciente retome atividades físicas e sociais sem o medo constante de uma crise e de complicações, que podem ser fatais”, finaliza.
*Informações Assessoria de Imprensa










