Higienização das mãos: mitos e verdades sobre um hábito essencial para prevenir doenças

higienização das mãos
(Foto: Freepik)

As mãos são umas das principais vias de transmissão de vírus e bactérias, uma vez que estão em contato frequente com superfícies e objetos compartilhados. Apesar disso, a higienização correta ainda é, muitas vezes, negligenciada em momentos cruciais ou realizada de forma inadequada.

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Celebrado em 5 de maio, o Dia Mundial da Higienização das Mãos, instituído pela Organização Mundial da Saúde, reforça a importância desse cuidado simples, mas essencial para a prevenção de diversas doenças. A data visa chamar a atenção para a necessidade de adotar a prática de forma correta e frequente, tanto em ambientes de saúde quanto na rotina diária.

Para ajudar a esclarecer o que é mito e o que é verdade sobre o tema, o infectologista Dr. Paulo Antonio Friggi de Carvalho, do Hospital Estadual de Franco da Rocha, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, esclarece os principais pontos de atenção e orienta como tornar o hábito mais eficaz.

“Usar álcool em gel resolve tudo” – MITO. Ele é um importante e fundamental aliado, mas não substitui a lavagem com água e sabão. “A versão 70% é eficaz e indicada para quando não há sujeira visível nas mãos. Contudo, em situações específicas como após usar o banheiro, antes de preparar alimentos ou quando há sujidade visível nas mãos, a lavagem com água e sabão é indispensável, pois promove a remoção completa dos microrganismos e esporos. Em algumas outras situações clínicas, por exemplo, o álcool em gel não substitui a lavagem com água e sabão.”

“Esfregar as mãos por poucos segundos já garante proteção” – MITO. O tempo de fricção é fundamental para a eficácia do processo. “A higienização com água e sabão deve durar entre 40 e 60 segundos, enquanto a com álcool em gel deve levar de 20 a 30. Respeitar esse tempo é o que garante que todas as áreas das mãos e execução da técnica correta — palmas, dorsos, espaços entre os dedos, unhas e punhos — sejam devidamente limpas.”

“É necessário retirar anéis, pulseiras e relógio para higienizar as mãos” – VERDADE. Acessórios podem dificultar a limpeza completa. “Esses itens criam áreas onde a sujeira e os microrganismos se acumulam, impedindo que o sabão ou o álcool ajam de forma adequada, além de produzirem barreiras para que os higienizantes atinjam toda a superfície das mãos. A recomendação é retirá-los sempre antes de higienizar as mãos, especialmente na manipulação de alimentos e evitar adentrar ambientes hospitalares com estes adornos.”

“Produtos como detergente podem ser usados para higienizar as mãos” – VERDADE, mas com ressalvas. Eles podem ser usados em situações emergenciais, quando o sabão não está disponível, mas não são os mais indicados. “Embora ajudem a remover a sujeira, esses produtos não foram desenvolvidos para a pele e podem causar ressecamento e irritações. Sempre que possível, dê preferência ao sabão ou sabonete, que são produtos apropriados para esse fim.”

“Luvas substituem a higienização das mãos” – MITO. O uso de luvas não elimina a necessidade da limpeza. “As luvas funcionam como uma barreira de proteção, mas podem ser contaminadas. Além disso, podem causar uma falsa impressão de segurança, as mãos podem se contaminar durante a remoção das luvas, sendo a higienização indispensável tanto antes de colocá-las quanto imediatamente após retirá-las.”

“Higienizar as mãos com frequência realmente faz diferença” – VERDADE. A prática regular tem um impacto direto e significativo na prevenção de doenças. “A higienização adequada das mãos é uma das intervenções mais eficazes e de baixo custo no controle de infecções. Ao remover vírus, bactérias e outros patógenos, a prática interrompe a cadeia de transmissão e reduz drasticamente a incidência de doenças infecciosas, tanto no ambiente doméstico quanto nos serviços de saúde.”

“A higienização das mãos vai muito além de um hábito de cuidado pessoal. É uma medida de saúde coletiva com eficácia comprovada e com custo financeiro mínimo. Quando realizada corretamente e incorporada à rotina, ela protege não apenas o indivíduo, mas toda a comunidade. Em um cenário onde as doenças infecciosas continuam a ser um desafio global, gestos simples como este têm um impacto real na prática clínica e na qualidade de vida da população”, conclui o especialista.

*Informações Assessoria de Imprensa