
Prometendo resultados clínicos inéditos, as chamadas terapias avançadas – que incluem terapias gênicas, celulares e medicamentos de precisão – estão redesenhando o futuro da medicina. Mas a revolução vem acompanhada de dilemas éticos, regulatórios e econômicos sem precedentes.

Para começo de conversa, a regulação ainda é um eixo em evolução. De acordo com a médica Lúcia Cristina Manoel de Macedo, gerente de Operações e Regulação em Saúde da Unimed Paraná, o Brasil já tem uma base regulatória sólida, mas fragmentada. Entre os entraves, estão ciclos regulatórios demorados e complexos; assimetrias entre aprovação sanitária e cobertura assistencial; ausência de protocolos nacionais de uso e monitoramento para coleta de dados de efetividade e segurança no mundo real; e ausência de marco regulatório específico para terapias avançadas na saúde suplementar. “O desafio atual é evoluir para uma regulação integrada, capaz de equilibrar inovação, acesso e sustentabilidade”, observa a gestora.
As terapias avançadas estão transformando profundamente o cenário assistencial. “No contexto das operadoras de planos de saúde, o impacto é multidimensional, exigindo uma abordagem integrada entre regulação, incorporação tecnológica, sustentabilidade e gestão populacional. Essas terapias, embora promissoras, possuem altíssimo custo e evidência clínica ainda sob avaliação, o que desafia o equilíbrio econômico das operadoras”, analisa Lúcia de Macedo.
“Há resultados animadores, mas também riscos adversos, tanto no curto, quanto no médio e no longo prazos”
Outro ponto para o qual a gestora chama a atenção tem a ver com os dilemas relacionados à priorização de recursos, com “desafios adicionais de conciliação para as operadoras, como por exemplo: acesso equitativo com sustentabilidade financeira, transparência nas decisões de incorporação e…











