
Pela primeira vez na história, as mulheres passaram a ser maioria entre os médicos em atuação no Brasil. Segundo o estudo Demografia Médica 2025, conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB), elas representam hoje 50,9% da força médica no país. A projeção é que, até 2035, o número cresça para 55,7%. O dado reflete uma mudança significativa no perfil da medicina brasileira, que durante décadas foi majoritariamente masculino. No entanto, apesar desse avanço, os cargos de liderança ainda não acompanham a mesma proporção de crescimento feminino, inclusive dentro do cooperativismo.

A consultora Thais Jerônimo, da Teagá Comunicação e Desenvolvimento, acompanha de perto esse cenário dentro do Sistema Unimed. “Nós vamos precisar de alguns anos para, realmente, ter essa equiparação em termos quantitativos”, analisa. A presença reduzida de mulheres em cargos de comando não é um fenômeno exclusivo da saúde. “Dentro do cooperativismo, há uma característica de mais homens nas lideranças, na grande maioria dos segmentos, por exemplo de agronegócio, crédito e transporte”, observa Thais.
Poder da representatividade
A maternidade, frequentemente apontada como uma dificuldade para a ascensão profissional, é parte importante do debate, porém não é vista pela consultora como o principal obstáculo. Além das barreiras estruturais, a falta de representatividade feminina em posições de destaque gera outro problema: a escassez de referências. “Como podemos nos inspirar se não há quem represente essas posições?”, reflete Thais.
A representatividade é fundamental tanto para a identificação quanto para a projeção. “O conceito de identificação é quando a médica olha para uma líder e se vê naquela trajetória. A projeção é enxergar a possibilidade de ocupar um espaço que ainda não é seu,…











