A conta que não fecha: a solidão em um mundo conectado


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Há uma equação invisível que acompanha a humanidade: o Número de Dunbar, teoria segundo a qual somos capazes de manter vínculos significativos com, em média, 150 pessoas. Os estudos desenvolvidos pelo antropólogo britânico Robin Dunbar, nos anos 1990, seriam a matemática das relações, um limite natural da mente para dar conta de laços afetivos e sociais.

No entanto, se essa matemática sugere conexões possíveis, os números da realidade insistem em mostrar um descompasso. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada seis pessoas no mundo se sente solitária. É uma estatística que não cabe na conta, que revela lacunas entre a quantidade de contatos e a qualidade dos vínculos.

Na era em que as telas nos permitem atravessar continentes em segundos, paradoxalmente, cresce a sensação de isolamento. A solidão, mais que ausência de companhia, tem se mostrado uma ferida silenciosa com impactos profundos na saúde mental, física e no tecido social.

“o ser humano é um animal social e a solidão é a fome da alma. Nós estamos ficando doentes por falta desse alimento.”
Ana Flávia Machado

Socialização e desenvolvimento humano

Sonia Lunardon Vaz
Sonia Lunardon Vaz

Ao comentar sobre o papel da socialização no desenvolvimento humano, Sonia Regina Lunardon Vaz, psicóloga e analista junguiana, ressalta a trajetória de milhões de anos de evolução: “No decorrer da nossa história, viver em grupo representou, e ainda representa, segurança e maior facilidade para obtenção de recursos necessários para a existência. O trabalho em conjunto e a troca de conhecimento proporciona avanços científicos, culturais e sociais. Resumidamente, o contato com o outro é essencial para nosso desenvolvimento, bem como a sobrevivência de nossa espécie.”

Sonia explica que, junto a grupos, o corpo libera oxitocina e dopamina, o que diminui o estresse, a solidão e a depressão. Além disso, os relacionamentos auxiliam no…



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