
Já pensou em tratar lesões em tendões, articulações e músculos com substâncias retiradas do próprio corpo? Essa é a proposta da Ortopedia Regenerativa, uma área que vem ganhando espaço principalmente entre atletas e pessoas com dores crônicas.
O tema desperta interesse, mas também levanta dúvidas e expectativas muitas vezes irreais. Afinal, o que realmente funciona quando falamos em ortobiológicos?
O que são ortobiológicos
Ortobiológicos são substâncias biológicas extraídas do próprio paciente, aplicadas para estimular e acelerar a cicatrização de tecidos lesionados. Entre os principais estão:
- PRP (Plasma Rico em Plaquetas): concentrado obtido do sangue, rico em fatores de crescimento.
- Células mesenquimais: células com grande capacidade de regeneração, geralmente coletadas da medula óssea ou do tecido adiposo.
Mitos e verdades
- É uma solução para qualquer problema ortopédico – MITO
Os ortobiológicos têm indicações específicas. Mostram bons resultados em:
- Lesões tendíneas crônicas (ombro, cotovelo e tornozelo)
- Alívio da dor em casos leves a moderados de artrose no joelho e no quadril
- Tratamento adjuvante na osteonecrose da cabeça femoral
Não substituem cirurgias em casos avançados, como rupturas completas de tendão ou artrose grave.
- O efeito é imediato – MITO
Diferente de infiltrações com corticoide, que agem rápido, os ortobiológicos estimulam a cicatrização natural do corpo. A melhora começa a ser percebida após algumas semanas e pode evoluir por meses. - É um procedimento perigoso e experimental – MITO
Como utilizam substâncias autólogas (do próprio paciente), o risco de reação alérgica é mínimo. O procedimento é feito em ambiente ambulatorial, com técnicas assépticas rigorosas. Embora seja uma área em constante pesquisa, diversos protocolos já são reconhecidos internacionalmente. No Brasil, a aplicação ainda está restrita a protocolos de pesquisa por questões regulatórias. - Substitui a fisioterapia – MITO
A fisioterapia continua sendo indispensável. Os ortobiológicos favorecem a regeneração, mas é a reabilitação que fortalece os tecidos e restaura a função plena, prevenindo novas lesões.
Avaliação individual é fundamental
A decisão pelo uso de ortobiológicos deve ser feita junto a um ortopedista especialista, que avaliará exames de imagem, histórico clínico e as características de cada paciente. Embora não sejam uma solução universal, os tratamentos regenerativos representam um avanço importante na ortopedia e oferecem novas possibilidades para quem busca alternativas menos invasivas e com potencial de recuperação funcional.
*Guilherme Falótico possui formação sólida na Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, onde também é professor adjunto. Mestre e doutor em Ciências, possui Fellowship no renomado Rothman Institute (EUA), com foco em via anterior do quadril e infecções em artroplastias. É certificado em cirurgia robótica (Robô Mako) e membro da SBOT e SBQ. Uma referência em ortopedia, ciência e inovação
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