
A saúde vascular raramente é lembrada até que algo aconteça. No entanto, por trás de cada dor que se intensifica ao caminhar, de cada perna que incha sem explicação ou de uma ferida que simplesmente não cicatriza, pode haver uma doença vascular em evolução silenciosa. É por isso que, mais do que uma data no calendário, o Dia Vascular (15 de agosto) representa um convite à mudança de perspectiva: olhar para as veias e artérias não apenas como caminhos, mas como estruturas fundamentais para a preservação da vida.
No Brasil, as doenças vasculares periféricas estão entre as principais causas de incapacidade funcional, internações prolongadas e eventos fatais evitáveis. E ainda assim permanecem subdiagnosticadas, mal compreendidas e, em muitos casos, negligenciadas no cuidado contínuo à saúde.
A trombose venosa profunda (TVP) é um exemplo emblemático. Caracterizada pela formação de coágulos em veias profundas, principalmente dos membros inferiores, ela pode se apresentar de forma discreta — um leve desconforto, uma perna mais inchada — mas evoluir para um quadro grave de embolia pulmonar. No Brasil, estima-se que centenas de milhares de casos ocorrem a cada ano, muitos dos quais. em pacientes com fatores de risco evitáveis: imobilidade prolongada, cirurgias recentes, câncer, obesidade, varizes, uso de anticoncepcionais ou histórico familiar.
As varizes e a insuficiência venosa crônica (IVC), por sua vez, impactam direta e progressivamente a qualidade de vida. Com prevalência entre 30% e 50% da população, esses quadros vão além da questão estética. Quando não tratados adequadamente, evoluem para edemas persistentes, alterações na coloração da pele, sensação de peso constante e até úlceras venosas de difícil resolução — condição que gera afastamentos do trabalho, internações recorrentes e sofrimento físico e psicológico significativo.
Em cidades como Botucatu (SP), 47,6% dos…







