Salvador está entre as capitais com maior número de pessoas que fazem uso abusivo de álcool, aponta Umane

bebida alcoolica
(Foto: Freepik)

Em tempos de Carnaval, é comum que a população brasileira aproveite a folia para aumentar o consumo de álcool. No entanto, a Umane, organização da sociedade civil, independente, isenta e sem fins lucrativos que fomenta iniciativas no âmbito da saúde pública, chama a atenção para esse hábito que está associado a acidentes no trânsito, doenças hepáticas, transtornos mentais e câncer. Dados do Vigitel 2023, disponíveis no Observatório da Saúde Pública (OSP), da Umane, mostram que Salvador (BA), Cuiabá (MT) e Florianópolis (SC) estão entre as capitais onde pelo menos uma a cada cinco pessoas fazem uso abusivo de álcool, com 24,3%, 21,5% e 20,1% da população, respectivamente.

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O uso abusivo do álcool é contabilizado, no caso dos homens, pelo consumo de cinco ou mais doses de bebida alcoólica em uma única ocasião nos últimos 30 dias, enquanto para mulheres esse número é de quatro ou mais doses em uma única ocasião no mesmo período.

O ranking mostra que as capitais com menor quantidade de pessoas que fazem uso abusivo do álcool são, respectivamente, Manaus (AM), com 10,8% da população, Rio Branco (AC), com 11% e Natal (RN), com 13,2%.

Fonte: Dados de 2023 do Vigitel, disponíveis no Observatório da Saúde Pública, da Umane

Perfil do uso abusivo de álcool

Os dados levantados pela Umane mostram que, entre as pessoas que fazem uso abusivo de álcool, os homens são maioria, com 23,1% deles, enquanto entre as mulheres esse hábito está presente em 11,6% delas.

Por faixa etária, a predominância de consumo abusivo está entre aqueles de 25 a 34 anos, com 22,8% pessoas nessa idade, seguido por aqueles entre 35 e 44 anos, com 20%. As pessoas com 45 a 54 anos estão logo atrás, com 18,7%.

Carnaval e álcool

A superintendente geral da Umane, Thais Junqueira, alerta para o consumo de álcool durante o Carnaval. “Não existe dose segura de consumo de bebida alcoólica, hábito que é responsável por 3 milhões de mortes no mundo todos os anos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. O consumo de álcool é um fator de risco para diversas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) que estão entre as mais prevalentes na população e são as maiores causas de mortalidade precoce. Revisar os hábitos de forma a desnormalizar o consumo de álcool a todo o tempo,  em todo e qualquer evento, bem como ter uma população mais educada acerca do que as evidências mais recentes trazem de informação sobre o tema deve ser nossa orientação, como sociedade, para minimizar os riscos”, afirma.

A Umane destaca, ainda, que é fundamental que o país fortaleça, cada vez mais, políticas públicas e campanhas de engajamento e sensibilização para a redução não apenas do consumo de álcool, mas combinem iniciativas na diminuição e prevenção aos fatores de risco, como cigarro, vape e outras drogas, em conjunto com a promoção de hábitos que contribuam com a qualidade de vida das pessoas, como a atividade física e a alimentação saudável. “A redução do consumo de bebida alcoólica é uma agenda de interesse público, ao garantir que sejam mitigados os fatores de risco para inúmeras doenças e economizados bilhões de reais em gastos federais”, destaca Junqueira.

De acordo com o estudo Estimação dos custos diretos e indiretos atribuíveis ao consumo do álcool no Brasil, realizado pela Fiocruz Brasília sob a liderança do pesquisador Eduardo Nilson do Programa de Alimentação, Nutrição e Cultura (Palin), a pedido das organizações Vital Strategies e ACT Promoção da Saúde, como parte da iniciativa RESET Álcool, o consumo de bebidas alcoólicas representou um custo para o Brasil em 2019 de R$ 18,8 bilhões e causa a morte de 12 pessoas por hora.

*Informações Assessoria de Imprensa